Vacinação esbarra em horário de trabalho e distância dos postos em MS
Vacimóvel, drive thru, plantão em supermercado e shopping, além de outras ideias colocadas em prática para aumentar os índices de vacinação em Mato Grosso do Sul têm dado resultado, mas algumas doses persistem com cobertura abaixo da meta.
É o caso da segunda dose da Tríplice Viral (contra sarampo, caxumba e rubéola) e da Qdenga (contra a dengue), das duas doses contra o vírus da catapora, dos imunizantes contra a covid-19 entre grupos como as gestantes e também da vacina que protege de quadros graves da influenza.
Os percentuais estão abaixo dos 80%, de acordo com a última atualização da Rede Nacional de Dados em Saúde do Ministério da Saúde.
O movimento antivacina e as fake news podem justificar em parte a resistência às vacinas.
Mas para o enfermeiro doutor em Saúde e professor do mestrado em Saúde da Família, Nathan Aratani, o principal problema está no acesso à imunização.
“Talvez a grande fragilidade ainda seja a organização do acesso.
Geralmente, as unidades funcionam de segunda a sexta-feira, em horário comercial.
A população economicamente ativa, às vezes, não consegue estar nos serviços de saúde em horário compatível com o trabalho”, começa.
O Estado destina recursos para garantir plantões em alguns finais de semana e feriados, e as próprias prefeituras enviam equipes para vacinar populações que vivem em áreas afastadas pontualmente.
Porém, falta criar ainda mais oportunidades para a vacinação fora dos postos de saúde, defende o professor.
Vacinadores existem em quantidade suficiente, mesmo no interior, acrescenta Nathan.
Eles precisam ir até quem precisa ser vacinado ou estar em locais que não sejam apenas os postos de saúde, inclusive quando se fala da região urbana.
“Não dá para vincular a vacinação apenas aos serviços de saúde.
A gente precisa ter ações extramuros”, reforça.
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