Alta dos juros reabre janela de oportunidades na renda fixa, diz XP
A XP avalia que a renda fixa deve continuar atrativa após as eleições presidenciais, embora o ambiente de maior incerteza com a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) exija ajustes na composição das carteiras e uma postura mais cautelosa na escolha dos ativos.
Em relatório divulgado nesta terça-feira (27), a corretora afirma que a reprecificação da curva de juros tende a aumentar a volatilidade dos títulos prefixados e indexados à inflação (IPCA+) .
Os vencimentos mais longos, que são mais sensíveis às expectativas para inflação, política monetária e situação fiscal do país, tendem a concentrar oscilações de preço mais relevantes no curto prazo, dizem os analistas.
Esse cenário, entretanto, não reduz a atratividade das classes, diz o relatório.
O foco deve ser diversificação e seleção dos prazos de investimento.
“Movimentos mais intensos podem criar pontos de entrada mais atrativos em títulos prefixados e indexados à inflação, especialmente para investidores com horizonte de médio e longo prazo e capacidade de manter os papéis até o vencimento”, afirma a XP.
Entre as principais recomendações, a XP mantém preferência por títulos pós-fixados destacando que o atual nível de juros oferece elevado carrego e menor sensibilidade às oscilações das taxas.
Nos prefixados , a recomendação é concentrar a exposição em vencimentos mais curtos, com até dois anos de duration, “que permitem capturar taxas elevadas com menor exposição às incertezas fiscais e inflacionárias de longo prazo”.
Já no caso dos títulos indexados ao IPCA , a XP segue enxergando valor nos papéis intermediários, com duration próxima a seis anos.
Segundo o relatório, esses ativos continuam importantes para preservar o poder de compra em um cenário de dúvidas sobre a trajetória das contas públicas e seus possíveis impactos sobre câmbio e inflação.
A casa destaca ainda que a recente abertura das curvas de juros pode restabelecer “patamares de entrada mais atrativos em determinados vencimentos”.
Crédito privado Já no crédito privado , a XP avalia que o cenário pós-eleitoral tende a elevar a aversão ao risco dos investidores, o que pode reduzir a demanda por títulos corporativos e ampliar os spreads de crédito, que são o prêmio de risco dos papéis das empresas em relação aos títulos públicos.
A instituição destaca que os ativos isentos, como as debêntures incentivadas , já vinham passando por um movimento de abertura de spreads antes mesmo da eleição, influenciado por resgates em fundos da classe e pela menor liquidez do mercado secundário.
Em setembro, os spreads desses ativos atingiram os níveis mais elevados em cerca de dois anos, segundo a XP.
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