Ometto está desmontando o próprio império? O plano da Cosan (CSAN3) para finalmente destravar valor para a ação
A Cosan (CSAN3) passou anos construindo um império.
Agora, a tarefa é quase o inverso: desmontar parte dele — e convencer o mercado de que, no processo, pode destravar valor para o acionista.
Depois de expandir o conglomerado por açúcar e etanol, combustíveis, gás, logística, lubrificantes e terras agrícolas, a holding de Rubens Ometto entrou em uma nova fase, marcada por venda de ativos, simplificação da estrutura e redução da dívida.
Na sexta-feira (14), o conglomerado deu mais um passo nessa direção: anunciou a cisão de uma estrutura da Radar, avaliada em R$ 2,6 bilhões, a saída da bolsa de Nova York (NYSE) e mudanças na área financeira.
Isoladamente, nenhuma dessas medidas muda a tese de investimento.
Juntas, porém, ajudam a revelar o que a Cosan está tentando fazer: transformar uma estrutura complexa, endividada e negociada com desconto em uma companhia mais enxuta.
A questão é quanto dessa “faxina” pode, de fato, virar valor para CSAN3.
Simplificação da Cosan — a começar pela Radar Uma das primeiras medidas foi a extinção da Radar II Propriedades Agrícolas , cujo patrimônio líquido foi avaliado em aproximadamente R$ 2,57 bilhões.
O veículo será cindido e seu patrimônio distribuído entre Cosan e Mansilla Participações, suas acionistas.
Como cada uma detém cerca de metade da empresa, a Cosan deverá incorporar aproximadamente R$ 1,29 bilhão.
A operação não prevê emissão de ações nem diluição dos acionistas.
Mas isso não significa que a companhia esteja “ganhando” dinheiro.
Os ativos já estavam refletidos no balanço da Cosan por equivalência patrimonial.
O que muda é a forma como ficam organizados.
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