Por que Casas Bahia (BHIA3) pediu recuperação judicial para se proteger de R$ 17,3 bilhões em obrigações? Problema não é a dívida
Mesmo depois de ter saído de uma recuperação extrajudicial no ano passado, a Casas Bahia (BHIA3) voltou à mesa de negociação com os credores.
A empresa anunciou pedido de recuperação judicial envolvendo R$ 17,3 bilhões em obrigações com bancos, fundos de investimento, seguradoras e fornecedores, além de aluguéis e dívidas trabalhistas.
Com isso, a ação da Casas Bahia enfrenta a maior queda do mercado hoje.
Os papéis BHIA3 caem 25,76%, negociados a R$ 0,49, por volta das 11h15.
A proteção também é contra a execução de garantias e de pagamentos antecipados.
Por cláusulas presentes nos contratos, o pedido de RJ poderia deflagrar o vencimento antecipado de todos os contratos do grupo.
O problema vai muito além do prejuízo recorde e do ambiente de vendas fracas e juros altos.
"O pedido de recuperação judicial muda materialmente a dimensão financeira da Casas Bahia e confirma que os desafios se estendem além da rentabilidade fraca", escreve o BTG.
Liquidez, custo de financiamento e problemas operacionais se tornaram amarras relevantes para o negócio.
A companhia já havia reestruturado cerca de R$ 4,1 bilhões em uma recuperação extrajudicial em 2024.
"A tentativa anterior de reestruturação não foi suficiente e, com a deterioração da liquidez e do acesso a novas fontes de financiamento, a proteção judicial passa a ser uma forma de preservar caixa, suspender execuções e evitar uma corrida individual de credores", diz Rodrigo Spinelli, sócio e especialista em recuperação e reestruturação do BBMOV Advogados.
O maior desafio não é o endividamento.
É a liquidez: a empresa não tem crédito para continuar operando e quer evitar que execuções de pagamentos antecipados impossibilitem a sua continuidade.
A posição de capital circulante líquido negativa, o resultado financeiro, a maior restrição de determinadas fontes de crédito e a necessidade de liquidez adicional "indicam a existência de incerteza relevante que pode levantar dúvida significativa sobre a capacidade da Companhia de continuar operando normalmente”, escreveu a auditoria da Ernst Young na divulgação de resultados.
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