Matou os três filhos e virou musa: o caso da glorificação de assassinos
Se alguém andar entre as mulheres vestidas de cor-de-rosa que se reúnem em frente a um tribunal de Plymouth, Massachusetts, pode achar que está em meio a um culto.
Terá uma parte de razão: as mulheres que fazem coraçãozinho com as mãos e, em alguns casos, levam seus próprios filhos, estão lá para defender, não condenar Lindsay Clancy , que enforcou os três filhos, uma menina e dois meninos, com idades de oito meses a cinco anos.
Lindsay, ao contrário do opróbrio absoluto que o infanticídio provoca, virou uma espécie de líder feminista.
As mulheres que espontaneamente ficam na frente do tribunal levam camisetas e cartazes dizendo “Paz para Lindsay” e “Ela precisava de ajuda”.
Nisso, têm razão.
Os advogados alegam que ela sofria de psicose pós-parto e foi rejeitada em suas tentativas de receber atendimento médico.
Se o distúrbio realmente existia e se conturbou a mente de Lindsay a ponto de provocar o tríplice assassinato, a justiça decidirá.
Mas o fanatismo das mulheres que a glorificam evoca os sentimentos provocados por Luigi Mangione , o jovem bonitão que matou a tiros numa rua de Nova York o executivo de um grande plano de saúde, Brian Thompson.
Mesmo antes de ser capturado, ele já havia provocado uma espécie de “culto a Luigi”, seguidores apaixonados – incluindo muitas mulheres – que torciam para que não fosse pego, apesar da incrível coleção de pistas deixadas, inclusive digitais, contrariando sua formação como engenheiro de computação.
Continua após a publicidade HIBRISTOFILIA As etapas iniciais do julgamento de Mangione atraíram multidões, mas acabaram frustrando seus admiradores: o assassino fez um acordo com a promotoria, admitindo o crime em troca de uma pena menos dura do que a prisão perpétua.
Acabou o show.
Não haverá um julgamento daqueles de cinema, embora os admiradores do assassino continuem buscando desculpas – uma mulher disse que a vítima, como diretor de plano de saúde, havia “matado milhares com seu laptop” ao negar procedimentos e reembolsos.
Glorificar criminosos é típico do pensamento politicamente correto, que sempre procura identificar vítimas em lugar de perpetradores.
O cinema e a literatura também contribuíram para dar uma aura de charme a grandes criminosos.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em veja.abril.com.br — o conteúdo pertence a Veja.