A autofagia eleitoral e o Brasil que não cabe na propaganda
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil O horário eleitoral começou.
Mudam as músicas, os cenários, as cores e os candidatos.
O roteiro, entretanto, parece o mesmo.
De um lado, promessas cuidadosamente produzidas.
Do outro, ataques pessoais, acusações e tentativas de destruir a reputação do adversário.
No meio dessa disputa está o eleitor, procurando alguma resposta para os problemas concretos de sua vida.
A crítica não está na existência do confronto.
A democracia pressupõe divergência, fiscalização e oposição.
O problema começa quando a disputa eleitoral deixa de ser uma comparação de projetos e se transforma em um campeonato de ofensas.
Nesse momento, a política deixa de discutir o país e passa a alimentar a si própria.
O Brasil que ficou fora da propaganda Enquanto os programas eleitorais apresentam um país quase cenográfico, existe outro Brasil lutando para sobreviver.
É o Brasil das empresas endividadas, das famílias que perderam capacidade de consumo, dos empreendedores sufocados pelo crédito caro e dos produtores rurais que trabalham com margens cada vez menores.
Somente até abril, 268 processos de recuperação judicial, envolvendo 602 CNPJs, foram registrados em 2026 .
Cada processo possui causas particulares, mas o conjunto funciona como um sinal de alerta.
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