R$ 5 bilhões pela Rumo (RAIL3): O que a possível venda muda para a Cosan (CSAN3), segundo o Citi
A possível venda de uma fatia da Rumo (RAIL3) pela Cosan (CSAN3) pode representar um passo importante para a holding de Rubens Ometto enfrentar um de seus principais desafios: o endividamento .
A Cosan confirmou na quinta-feira (20) que está recebendo propostas vinculantes de potenciais interessados em parte de sua participação na companhia ferroviária, embora tenha ressaltado que ainda não há decisão sobre a realização da operação.
Segundo informações do Broadcast , a negociação envolveria cerca de 15% da Rumo, por aproximadamente R$ 5 bilhões .
Entre os interessados estão o Grupo México e a chinesa Cofco, esta em conjunto com a Bunge.
Para o Citi , uma transação nesses termos seria positiva tanto para a Cosan quanto para a tese de investimento da Rumo.
O que os R$ 5 bilhões mudam para a Cosan? O principal efeito estaria na desalavancagem.
A Cosan vem adotando uma série de medidas para reduzir sua dívida e, no segundo trimestre de 2026 (2T26), encerrou o período com dívida líquida expandida de R$ 9,2 bilhões no corporativo.
Na avaliação dos analistas Gabriel Barra e Pedro Gama, do Citi, a venda da participação na Rumo permitiria à holding trocar um ativo com baixa distribuição de dividendos no curto prazo por recursos para reduzir uma dívida que atualmente carrega um custo elevado.
Isso porque a Rumo atravessa um ciclo intenso de investimentos, limitando sua capacidade de distribuir dividendos, enquanto os juros elevados tornam mais pesada a dívida da Cosan.
Segundo os cálculos do Citi, caso os R$ 5 bilhões sejam destinados à redução do endividamento, a companhia poderia diminuir suas despesas financeiras em cerca de R$ 800 milhões por ano .
“Se a Cosan conseguir prosseguir com a venda, veremos isso como um passo importante em sua trajetória de alavancagem, melhorando significativamente seu índice de cobertura de dívida”, afirmam os analistas.
E para a Rumo (RAIL3)? O Citi também vê uma sinalização positiva para a própria Rumo no preço discutido na operação.
Uma fatia de aproximadamente 15% negociada por R$ 5 bilhões implica um valuation de cerca de R$ 33 bilhões para a companhia , aproximadamente 30% acima do valor de mercado considerado pelo banco.
Na prática, a negociação indicaria que compradores estratégicos estão dispostos a pagar um prêmio pelo ativo em relação ao valor atribuído atualmente pela Bolsa.
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