Como funcionam as bombas do Anhangabaú e o plano de SP contra enchentes
O túnel do Anhangabaú, que fica na região central de São Paulo, tem um sistema de bombas que foi desenvolvido para sugar a água acumulada na passagem subterrânea e, por meio de tubulações, expelir o líquido acumulado para fora da via. Na quarta, durante um temporal que deixou vários pontos da capital paulista alagados, o sistema estava em funcionamento, mas não deu conta do recado. O prefeito da cidade, Ricardo Nunes (MDB), disse que o problema foi causado pelo volume de chuva, que foi muito alto em um período muito curto de tempo.
Segundo a Prefeitura, o túnel conta com seis bombas fixas, monitoradas 24 horas por dia por sensores e câmeras. O sistema é apenas uma etapa da infraestrutura de drenagem responsável por retirar a água da passagem subterrânea.
A água da chuva escorre pela pista e é captada por grelhas e canaletas. Em seguida, chega a um ponto de captação, onde as bombas a impulsionam para uma tubulação de descarga.
Dentro da bomba, um motor elétrico faz girar uma peça chamada rotor ou impulsor. Suas pás transferem energia à água, que é direcionada para a saída do equipamento. A pressão gerada permite transportar o líquido pela tubulação até o ponto de descarga previsto no sistema de drenagem. A Prefeitura também relatou ter realizado bombeamento emergencial.
A administração municipal informou que as seis bombas, e todo o seu percurso, funcionaram na quarta-feira, sem registro de problemas nos equipamentos. Apesar disso, o sistema não conseguiu escoar toda a água acumulada. Ainda não há uma análise que esclareça, tecnicamente, o que poderia ter evitado o alagamento.
Um termo de referência da Prefeitura de São Paulo para a manutenção dos sistemas de bombeamento de túneis e passagens subterrâneas lista bombas Flygt dos modelos CP 3201 MT 636 e CP 3201 MT 634, comuns no bombeamento de água e esgoto. O documento registra os equipamentos como sendo de 1988, mas não comprova que estes modelos específicos continuem em operação. Questionada sobre a mecânica das bombas atualmente instaladas, a Prefeitura não respondeu.
O CGE (Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas) registrou 42 mm de chuva em 40 minutos na região do Córrego do Anhangabaú na quarta-feira. Segundo a Prefeitura, o volume equivale ao que era esperado para 11 dias deste mês de outubro em toda a cidade, ou 37% do volume total esperado, que era de 112 mm. O túnel foi fechado no sentido Aeroporto durante o temporal, mas já havia veículos parados em seu interior , em meio ao horário de pico.
Após o alagamento do túnel do Anhangabaú, o prefeito Ricardo Nunes afirmou que a Prefeitura pretende ampliar a capacidade de bombeamento na região e reforçar o controle e o fechamento do túnel durante temporais. Ele também atribuiu o alagamento à concentração de cursos d'água subterrâneos que convergem para a região e disse que avalia construir um piscinão sob o Terminal Bandeira, próximo ao Vale do Anhangabaú. Segundo o prefeito, a obra custaria mais de R$ 350 milhões, mas não há uma previsão ou cronograma para a medida.
A prefeitura também disse ter estruturado um protocolo de crises.
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