Espriella e Milei personificam pol�tica do espet�culo na Am�rica Latina
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A América Latina vive tempos intensos, marcada por acontecimentos que concentraram as atenções e deixaram mais perguntas do que respostas. Em momentos distintos, Colômbia (cujo presidente tem o apelido "o tigre") e Argentina ofereceram exemplos de uma política cada vez mais orientada pela imagem, pelo espetáculo e pela disputa permanente da narrativa pública. O episódio mais provocativo foi a posse de Abelardo de la Espriella. O novo presidente decidiu romper com a tradição ao não realizar a cerimônia na Casa de Nariño. A escolha de Cali, uma cidade marcada por frequentes tensões sociais e desafios de segurança, foi interpretada como uma mensagem política que ainda suscita diferentes leituras.
A própria cerimônia reforçou essa opção por uma comunicação fortemente simbólica. Em vez da solenidade convencional, prevaleceram gestos cuidadosamente construídos para dialogar com seus apoiadores e dominar o noticiário. A posse pareceu buscar um impacto político imediato por meio da encenação. Na Argentina, Javier Milei (que se autodenomina "o leão") voltou a recorrer ao estilo que marcou sua ascensão política. Em meio às dificuldades econômicas , aos conflitos com o Congresso e às pressões sobre seu governo, ele voltou a apostar em aparições de forte apelo popular e em um discurso voltado diretamente à sua base de apoio.
Embora vivam contextos diferentes, De la Espriella e Milei compartilham um traço comum: ambos compreenderam que, na política contemporânea, a disputa pela atenção muitas vezes antecede a disputa pelas políticas públicas. Em suas aparições, o simbolismo e a performance ocupam um espaço que antes era reservado ao ritual institucional.
Resta saber se essa estratégia será suficiente para enfrentar problemas muito mais concretos. Colômbia e Argentina vivem desafios como crescimento econômico limitado, insegurança, polarização política e perda de confiança nas instituições. O espetáculo produz impacto imediato, mas seus efeitos tendem a ser passageiros quando confrontados com a realidade cotidiana da população. A dúvida que permanece é se essa nova forma de exercer o poder representa apenas uma mudança de linguagem ou se revela uma transformação mais profunda na relação entre líderes, instituições e sociedade.
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