Imigração ilegal não está relacionada ao aumento da criminalidade nos EUA, aponta estudo
Está errada a ideia de que o aumento nos índices de criminalidade está relacionado à chegada de imigrantes sem documentação nos Estados Unidos, diz um novo estudo publicado na revista Journal of Urban Affairs .
Na verdade, trata-se do contrário: bairros que registraram um maior número de imigrantes em situação irregular viram a criminalidade cair, e não aumentar – tanto em crimes contra o patrimônio quanto em crimes violentos.
A afirmação é resultado de uma análise feita por pesquisadores, que combinaram o número de residentes sem documentação com estatísticas de criminalidade durante 2010 e 2018 nos EUA.
Entre 11.500 bairros de mais de 100 cidades do país, eles não encontraram qualquer relação entre crimes e imigrantes – o que se alinha a pesquisas anteriores, como no Reino Unido, que também não encontraram ligação entre os dois fatores.
A imigração ilegal corresponde aos cidadãos estrangeiros que entram em um país ilegalmente e/ou vivem lá sem um visto válido.
Frequentemente, a presença desses indivíduos é vista como um fator exponencial para a criminalidade – sentimento este ecoado pela atual administração Trump, que classifica todos os imigrantes sem documentação como criminosos.
Continua após a publicidade Durante o período analisado pelo estudo, tanto as taxas de criminalidade quanto as de imigração estavam em declínio nos Estados Unidos.
“Poderíamos dizer facilmente que a criminalidade caiu porque a imigração diminuiu, e que isso ocorre porque os imigrantes trazem criminalidade.
Mas nosso estudo é capaz de contestar essa noção”, diz Charis Kubrin, um criminólogo da Universidade da Califórnia e autor da pesquisa.
O plano de Trump para cortar US$ 4 bilhões da ciência americana Continua após a publicidade Entendendo a pesquisa Justamente pela natureza irregular desses indivíduos, é difícil dizer quantos imigrantes sem documentação estão vivendo nos Estados Unidos atualmente.
Mas, neste caso, a equipe de pesquisadores teve acesso a dados demográficos confidenciais de 46 milhões de pessoas, oferecidos por um dos centros de pesquisa estatística federal do país.
A partir dali, para estimar quais deles seriam imigrantes sem documentação, foram excluídas as pessoas já registradas como cidadãos dos EUA, assim como aquelas registradas como beneficiárias de seguro de saúde, matriculadas no ensino superior ou casadas com um cidadão americano – já que esses indivíduos provavelmente são portadores de visto autorizado ou residentes permanentes.
Em seguida, os pesquisadores mapearam a proporção de imigrantes sem documentação nos bairros, utilizando dados sobre crimes do banco de dados do National Incident Crime Study.
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