Dólar sobe a R$ 5,15 com Treasuries e inflação dos EUA
O dólar à vista ganhou força ante o real após novo dado de inflação dos Estados Unidos vir acima do esperado pelo mercado, o que trouxe de volta as apostas de alta ainda em outubro nos juros norte-americanos, segundo a ferramenta Fed Watch, do CME Group.
Nesta quarta-feira (26), a divisa encerrou o dia com alta de 0,22%, a R$ 5,1518, no mercado à vista.
O movimento local foi puxado pelo fortalecimento do dólar global, diante do avanço dos Treasuries. Por volta de 17h (horário de Brasília), o DXY , indicador que compara a moeda a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra , subia 0,25%, aos 99.163 pontos.
O mercado de câmbio acompanhou o dado mais benigno da prévia da inflação, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15) , que recuou 0,40% em agosto e fechou o período de 12 meses com alta acumulada de 4,24%. A estimativa da pesquisa Projeções Broadcast era de deflação de 0,30%.
O número do acumulado em 12 meses indica que a inflação está dentro do teto da meta do Banco Central — de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto para mais ou para menos.
Já nos Estados Unidos, O Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal ( PCE ) dos Estados Unidos subiu 0,2% em julho. No acumulado do ano, a inflação preferida do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) apontou para alta de 3,7% — acima da meta de 2% perseguida pelo banco central norte-americano.
O dado veio ligeiramente acima do esperado pelos analistas da FactSet , que estimavam alta de 0,1% na comparação mensal e avanço de 3,6% no dado anual.
Para a estrategista de investimentos da XP Rachel de Sá, o dia foi marcado pela inflação, com a divulgação de dados no Brasil e nos Estados Unidos. Contudo, o movimento no exterior acabou impactando mais.
“O índice no Brasil veio um pouco abaixo do esperado. No entanto, quando analisamos os detalhes, a percepção geral não muda muito: a inflação de curto prazo traz algum fôlego devido a fatores pontuais. Tivemos uma deflação em alimentos ainda maior do que a esperada e, neste mês, o impacto do bônus de Itaipu na tarifa de energia elétrica”, detalha.
A estrategista destaca ainda que esse efeito é muito pontual e, em setembro, com o fim do benefício, haverá uma devolução proporcional ao recuo atual.
Segundo Sá, o que chamou a atenção foi a inflação do PCE: a variação do indicador cheio veio ligeiramente acima do esperado (0,1%), embora o núcleo tenha vindo em linha.
“Essa pequena surpresa para cima foi suficiente para azedar o humor do mercado. As taxas de juros norte-americanas viraram e a curva voltou a abrir, refletindo também pressões estruturais. Esse movimento respingou no Brasil, fazendo as empresas mais cíclicas sofrerem no pregão de hoje”, diz.
No front geopolítico, o Irã informou que chegou nesta quarta-feira a um acordo de compartilhamento de receitas com Omã no Estreito de Ormuz.
O contrato mais líquido do petróleo Brent , referência para o mercado internacional, para novembro operava em queda de 0,37%, a US$ 86,94 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres.
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