Nvidia mira Brasil e México enquanto busca reduzir dependência da China
A Nvidia (NASDAQ: NVDA | B3: NVDC34 ) segue sustentando uma tese estruturalmente construtiva, apoiada pela continuidade da expansão dos investimentos em inteligência artificial e pela força da demanda por infraestrutura computacional.
No segundo trimestre fiscal, a companhia reportou receita de US$ 46,7 bilhões, alta de 56% na comparação anual, e projetou vendas de US$ 54 bilhões para o trimestre seguinte.
Embora o guidance tenha ficado abaixo das estimativas mais otimistas, parte dessa postura mais cautelosa decorre da exclusão das vendas para a China , diante das restrições comerciais impostas pelos Estados Unidos.
Caso as licenças para os chips H20 avancem, a própria empresa estima que as vendas ao mercado chinês poderiam acrescentar até US$ 5 bilhões em um único trimestre, representando uma fonte relevante de potencial adicional ainda não incorporada às projeções atuais.
Ao mesmo tempo, a companhia vem ampliando sua estratégia de expansão geográfica , com destaque crescente para a América Latina.
A região ainda representa menos de 5% da receita global da Nvidia, mas Brasil e México começam a ganhar importância como potenciais polos de data centers e infraestrutura de IA.
No México, a empresa participa de uma iniciativa voltada à instalação de data centers , à formação de engenheiros e ao desenvolvimento do ecossistema local, enquanto, no Brasil, colabora com iniciativas ligadas ao Plano Brasileiro de Inteligência Artificial.
A disponibilidade de energia relativamente competitiva, a presença de fontes renováveis e o movimento de nearshoring criam condições favoráveis para atrair hyperscalers , os grandes operadores de infraestrutura em nuvem, e novos investimentos em capacidade computacional.
Ainda assim, esse avanço depende não apenas de capital e infraestrutura, mas também da formação de profissionais qualificados, hoje apontada pela própria Nvidia como um dos gargalos para o desenvolvimento.
Para as ações da Nvidia, o ponto central continua sendo a expansão da demanda por IA para além dos grandes mercados tradicionais, abrindo novas frentes de crescimento para a companhia.
A proliferação de modelos mais eficientes, como os desenvolvidos por empresas chinesas, também pode ampliar o universo de usuários e aplicações, em vez de necessariamente reduzir a necessidade de capacidade computacional.
Ao mesmo tempo, a diversificação geográfica pode ajudar a mitigar parcialmente os riscos associados às restrições comerciais com a China.
A tese, portanto, permanece sustentada por crescimento elevado, expansão da infraestrutura global de IA e aumento da adoção tecnológica, embora continue sensível a fatores como regulação, geopolítica, execução dos investimentos e expectativas já bastante elevadas incorporadas ao preço das ações.
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