PF aponta acordo de Canella com CV para retirar barricadas
Ex-PM seria responsável por contato direto com chefes do grupo criminoso, entre eles o Doca
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR A Polícia Federal (PF) apontou que o deputado estadual eleito Márcio Canella (União), preso nesta quinta-feira, 15, mantinha um acordo com chefes do Comando Vermelho (CV) para a retirada de barricadas em Belford Roxo , na Baixada Fluminense.
Segundo as investigações, o intermediário era o capitão da Polícia Militar Alessander Ribeiro Estrella Rosa, preso em fevereiro sob suspeita de negociar com traficantes.
O militar atuava como canal de interlocução entre Canella e lideranças da cúpula do Comando Vermelho, entre elas Edgar Alves de Andrade, o Doca.
Em contrapartida, segundo a PF, a prefeitura e as forças de segurança garantiam a redução das operações policiais e a “subsequente devolução pacífica do pleno controle territorial aos integrantes do tráfico de entorpecentes” após a retirada das barricadas.
Estrella Rosa foi submetido à chamada demissão ex officio , modalidade de desligamento de um oficial da ativa.
Segundo a PF, o ex-PM “agia expressamente como canal de interlocução e intermediário dos interesses da gestão municipal chefiada por Márcio Canella”.
Além de Doca, Estrella Rosa teria contato com José Severino da Silva Júnior, o Soró, apontado como chefe do complexo do Castelar, uma das principais áreas de atuação da facção em Belford Roxo.
A apuração também classifica Canella como “patrono político” e “articulador de alto escalão” de uma organização criminosa ligada ao Comando Vermelho (CV).
Canella foi alvo da oitava fase da Operação Unha e Carne , deflagrada para desarticular uma organização criminosa suspeita de utilizar uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio de Janeiro como plataforma de lavagem de dinheiro.
Segundo a PF, o parlamentar eleito atuava como um elo entre o poder público e a rede de postos de combustíveis.
A corporação afirma que a organização criminosa integrada por Canella apresenta um “ecletismo econômico e pragmatismo geopolítico que transcendem cisões faccionais” . Segundo os investigadores, o grupo estabeleceu “pontes operacionais com milícias e com o tráfico de drogas para fins de perenidade territorial e blindagem política” .
A PF também aponta que a participação de Canella nesse esquema se traduzia em atos de favorecimento e cooptação.
“A inserção ‘Márcio Canella’ nesse ecossistema paramilitar traduz-se em atos concretos de favorecimento e cooptação. A comprovação dessa alegação foi a nomeação de ex-vereadores sob investigação por liame miliciano ao seu quadro de secretários municipais em Belford Roxo” , diz a corporação.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.