Proibição das bets: Para presidente do Cuiabá, clubes têm de aprender a viver sem patrocínios de apostas
A proibição das bets , que entrou em vigor neste mês no Brasil por força de uma Medida Provisória (MP) assinada pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), provocou alvoroço no futebol brasileiro, especialmente entre os clubes que possuíam patrocínio máster de casas de apostas.
Enquanto alguns cartolas recorrem à Justiça ou apelam a parlamentares em Brasília (que, em breve, votarão a MP), outros fazem as contas tentando descobrir formas de manter as finanças equilibradas diante da perda iminente de receitas milionárias.
O Cuiabá é um dos clubes do Brasileirão que não serão afetados diretamente pelo fim do patrocínio das bets. A equipe, que disputa a Série B, optou no fim de 2022 por abrir mão de parcerias com empresas do setor.
Em entrevista à Máquina do Esporte , Cristiano Dresch , presidente do clube mato-grossense, explicou sobre as razões de recusar esse tipo de parceria.
“Tivemos um patrocínio de bet em 2022, no nosso calção, que pagava R$ 800 mil por ano. Era um patrocínio muito pequeno. Foi só esse negócio que nós fizemos. Faz muito tempo que a gente não negocia com bet. Eu não acreditava nesse segmento e acho que tomei a decisão correta”, disse.
Para o presidente do Cuiabá, a proibição deve impactar as finanças de muitos clubes, já que as casas de apostas ainda possuíam uma forte presença nas Séries A e B do Brasileirão.
Por outro lado, ele acredita que as equipes precisam se adequar ao novo cenário, mesmo na hipótese de a MP ser derrubada pelo Congresso Nacional (o prazo para ser votada é até o início do próximo ano).
“Acho que, se as bets voltarem, virão com um investimento infinitamente menor ao de antes. Os clubes vão ter de começar a viver sem bets”, ponderou.
Na entrevista, Dresch também comentou a respeito do atual momento financeiro do Cuiabá. O clube figura no Painel de Solvência, lançado na semana passada pela Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf) , com uma dívida de R$ 40 milhões, dos quais R$ 36 milhões são de curto prazo.
O time mato-grossense possui compromissos em atraso, tanto em questões trabalhistas e tributárias quanto junto a fornecedores. Em todo caso, está longe de aparecer entre os casos mais críticos de endividamento da Série B, já que bens e direitos que o Dourado tem a receber totalizam R$ 118 milhões (saldo positivo de R$ 78 milhões).
“A gente tem mais a receber do que o que devemos. Não possuímos dívida líquida”, explicou. De acordo com ele, o aperto financeiro que acometeu o clube nos últimos meses tem a ver com o rebaixamento à Série B, ocorrido em 2024.
“Há alguns contratos altíssimos, com valores ainda de Série A, que estamos pagando. Acabamos de acertar a rescisão de um treinador, que nos ocasionou um transfer ban . Gastamos R$ 5 milhões para liquidar esse contrato. Temos alguns atletas com contratos de Série A, com quem estamos negociando.
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