Itaú BBA corta recomendação do Bradesco e vê recuperação mais difícil
O Itaú BBA reduziu de compra para neutra a recomendação das ações preferenciais do Bradesco (BBDC4) e cortou o preço-alvo de R$ 22 para R$ 20, para o fim de 2027. O banco avalia que a recuperação da rentabilidade da instituição deve enfrentar mais dificuldades, diante da desaceleração do crédito e do aumento das despesas para cobrir possíveis calotes.
Em relatório assinado por Pedro Leduc, William Barranjard e Kelvin Dechen, o Itaú BBA reduziu em 12% sua projeção de lucro líquido do Bradesco para 2027, para R$ 28,5 bilhões. O valor representa crescimento de 1% em relação ao resultado esperado para 2026.
Rentabilidade esperada para 2027 também foi reduzida. O Itaú BBA cortou de 16,3% para 14,4% sua projeção de retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) do Bradesco. O indicador mede quanto o banco consegue gerar de lucro em relação ao capital dos acionistas.
Vemos um caminho mais desafiador para novos ganhos de rentabilidade, à medida que o crédito mais lento e as provisões maiores pesam sobre as receitas ajustadas ao risco. Itaú BBA, em relatório
Balanço do terceiro trimestre já mostrava sinais de pressão. O Bradesco registrou lucro recorrente de R$ 7,1 bilhões e ROE de 15,6%, mas a inadimplência acima de 90 dias subiu de 4,3% para 4,6% da carteira. As provisões, despesas reconhecidas para cobrir possíveis perdas com empréstimos, chegaram a R$ 10,6 bilhões.
Economia mais fraca pode limitar a recuperação do crédito. Segundo o Itaú BBA, a desaceleração econômica prevista para 2027 tende a reduzir a procura por empréstimos e a capacidade de pagamento de famílias e empresas. Juros elevados por mais tempo também podem dificultar a retomada das operações com grandes companhias.
Financiamento de veículos deve perder ritmo. A carteira dessa modalidade cresceu 27% em relação ao mesmo período do ano anterior no terceiro trimestre, mas os analistas consideram difícil manter essa velocidade de expansão. Entre pequenas e médias empresas, os empréstimos de capital de giro sem garantias já apresentaram queda de 7,2% na comparação anual.
Receitas financeiras devem crescer menos. O Itaú BBA projeta expansão de 6% da margem financeira com clientes em 2027, metade do ritmo esperado para este ano. Essa linha reflete principalmente o resultado obtido pelo banco com empréstimos e captação de recursos.
Despesas com calotes preocupam ainda mais. O banco elevou em 16% sua estimativa de provisões para 2027, para R$ 47,1 bilhões. Também passou a projetar inadimplência acima de 90 dias de 4,9%, ante previsão anterior de 4,2%.
Controle de custos e seguros ajudam, mas não eliminam os riscos. O Itaú BBA reconhece os avanços do Bradesco em eficiência operacional e a contribuição dos negócios de seguros. Ainda assim, considera que um mercado de trabalho mais fraco e o crescimento menor do crédito podem limitar a expansão das receitas com seguros.
Continuamos acreditando na trajetória de longo prazo do Bradesco, mas antevemos um ambiente macroeconômico mais desafiador em 2027. Itaú BBA, em relatório
Preço-alvo foi reduzido para R$ 20.
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