Lula vai ignorar Trump, Flávio e Milei e manter pragmatismo
Sem elementos formais para uma resposta oficial, governo evita escalar tensão diplomática depois de fuga de senador
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acompanha com cautela a fuga de Flávio Bolsonaro (PL) aos Estados Unidos e, por ora, decidiu não reagir ao caso. A viagem do senador teve a ajuda atribuída a integrantes dos governos de Donald Trump (Partido Republicano) e de Javier Milei (La Libertad Avanza).
Não há telefonema previsto entre Lula e Trump, e o brasileiro não pediu uma conversa. A orientação é não dar “palco” ao caso. Como mostrou o Poder360 , a ida de Flávio, na avaliação do Planalto, constrange a oposição, não o governo.
Aliados de Lula avaliam que o senador perdeu capital político ao deixar o país. O PL reconheceu a vitória de Lula na 2ª feira (26.out), apesar de Flávio ter anunciado que pediria a cassação da chapa do presidente. Partidos que apoiaram o congressista no 2º turno também reconheceram o resultado. Ele ainda pode perder o mandato se atingir o limite de faltas no Senado.
Sem governar e sem uma bancada capaz de garantir votos suficientes no Congresso, o senador tem pouca margem para negociar com Washington pautas de interesse americano.
A estratégia de Lula é esperar as eleições legislativas norte-americanas, na 3ª feira (3.nov), e só depois recalibrar a posição.
O Planalto vê o pleito norte-americano como um possível ponto de inflexão:
Os democratas também são considerados aliados do Brasil na regulação das big techs e na agenda ambiental. Integrantes do partido já parabenizaram Lula pela reeleição e cobraram que Trump reconheça o resultado. Entre eles estão os deputados Gregory Meeks, Ro Khanna e Alexandria Ocasio-Cortez e a senadora Jeanne Shaheen.
O episódio tem semelhanças com o tarifaço de 2025. Na ocasião, a família Bolsonaro buscou apoio do governo Trump contra autoridades brasileiras. Agora, outro integrante da família foi aos Estados Unidos com apoio atribuído a integrantes do governo americano. Nos 2 casos, a aproximação com Washington colocou em questão a relação entre os governos.
Em 2025, partidos e governadores brasileiros defenderam a pressão americana contra o Brasil. Agora, Lula acaba de vencer a eleição e conta com o reconhecimento da maioria dos partidos, do TSE e de observadores internacionais. Isso reduz o espaço para que Trump questione a legitimidade do resultado sem se expor.
O presidente dos Estados Unidos disse que não tomou partido na eleição brasileira a pedido de Lula, classificou o pleito como vergonhoso, mas não reconheceu Flávio como líder.
O governo Lula, por isso, pretende manter o pragmatismo na relação e evitar uma reação imediata ao caso.
As relações entre Brasília e Buenos Aires já estavam rebaixadas depois que Milei chamou Lula de “ladrão” e “presidiário” durante a convenção do PL que oficializou a candidatura de Flávio, em São Paulo, em 25 de julho. No dia seguinte, o embaixador brasileiro na Argentina, Julio Bitelli, foi chamado à capital federal brasileira .
Em 4 de agosto, o Itamaraty decidiu mantê-lo no Brasil enquanto continuassem os ataques e rebaixou as relações ao nível de encarregado de negócios. Não há prazo para o retorno dos embaixadores.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.poder360.com.br — o conteúdo pertence a Poder360.