Sob tensão, França barra eventos da extrema direita e veta entrada de líder ultrarreacionário
Em meio a um clima de forte acirramento político e ameaça de distúrbios civis, o governo da França decidiu banir dois grandes eventos organizados por grupos radicais de extrema direita.
As medidas de restrição atingem uma conferência focada em teses de expulsão em massa de estrangeiros, planejada para o sábado em Le Plessis-Robinson, e um ato de rua programado para o próximo domingo no centro de Paris.
A intervenção estatal foi formalizada por determinação direta do Ministério do Interior, sob a justificativa de preservação da ordem pública e prevenção de confrontos diretos nas ruas.
A decisão ocorre em um ambiente de comoção nacional provocado por um recente atentado de viés abertamente racista em Trappes, periferia da capital, no qual um homem negro foi brutalmente assassinado e outras sete pessoas ficaram feridas.
O episódio violento inflamou os discursos na política francesa.
Lideranças de partidos progressistas, organizações sindicais e setores moderados do centro atribuem o aumento da violência ideológica ao avanço de pautas xenófobas promovidas pela extrema direita e endossadas por veículos de comunicação alinhados a essa vertente.
Vetos e barragem na fronteira A reação do Ministério do Interior resultou também em bloqueios de fronteira.
O nacionalista radical austríaco Martin Sellner, uma das vozes mais ativas do extremismo reacionário europeu, confirmou ter sido formalmente proibido de ingressar em solo francês para participar dos debates programados.
O foco central da conferência barrada, intitulada “Remigração: vamos abrir o debate” e idealizada por Jean-Yves Le Gallou, ex-integrante da antiga Frente Nacional (hoje Reunião Nacional), baseava-se no conceito de “remigração”.
Trata-se de um eufemismo utilizado por setores ultranacionalistas para advogar pela deportação compulsória e sistemática de populações de origem estrangeira.
Ao fundamentar o veto ao fórum, o prefeito do departamento de Hauts-de-Seine destacou a incompatibilidade da pauta com os valores democráticos, assinalando que o evento promovia “uma ideologia xenófoba e racista, pautada pela premissa discriminatória de que imigrantes seriam, por essência, uma ameaça ao futuro das nações europeias”.
Pressão nas ruas e cenário eleitoral conturbado A proibição governamental respondeu ainda à iminência de violentos embates urbanos.
Movimentos antifascistas, organizações de direitos humanos e centrais sindicais já articulavam contramanifestações e amplas mobilizações populares para confrontar os radicais no sábado.
A crise ganha contornos ainda mais sensíveis diante do calendário político.
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