Como a gigante das carnes está investindo em colágeno para a pele
Historicamente destinados a aplicações de menor valor agregado, como couro e insumos industriais, os subprodutos do boi estão virando matéria-prima para a indústria de cosméticos.
E a maior processadora de carne do mundo, a JBS, criou uma empresa, a Genu-in , só para investir na produção de colágeno e gelatina.
A pele bovina é o insumo do Genu-in Skin, um ingrediente desenvolvido com base no colágeno bovino por meio de uma tecnologia exclusiva e patenteada pela companhia.
O produto promete contribuir para melhorar a elasticidade e firmeza da pele , promessa que foi respaldada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em março deste ano, quando o órgão autorizou a Genu-in a associar seu colágeno a esses benefícios, com base em estudos clínicos realizados desde a criação da empresa.
Na prática, a autorização da Anvisa permite que as empresas que compram o ingrediente da Genu-in possam indicar esses efeitos em seus rótulos e peças publicitárias, o que é considerada uma vantagem para as vendas em um mercado cada vez mais competitivo.
A empresa afirma que seu diferencial está na composição dos peptídeos.
O Genu-in Skin, produzido desde 2022 em uma fábrica em Presidente Epitácio, no oeste paulista, passa por um processo conhecido como hidrólise direcionada , que quebra o colágeno em peptídeos de tamanhos específicos.
Segundo a Genu-in, esses peptídeos são identificados, caracterizados e quantificados, de modo que o ingrediente mantenha um perfil molecular consistente entre os lotes, diferentemente do que acontece com um colágeno hidrolisado convencional.
Nesses casos, a composição de peptídeos pode variar mesmo quando a matéria-prima é a mesma.
Continua após a publicidade Dermatologistas, porém, frequentemente mantêm algumas ressalvas em relação ao uso de colágeno por via oral, mesmo no caso de produtos aprovados.
O motivo é que o colágeno ingerido não chega intacto ao organismo .
Durante a digestão, a proteína é quebrada em fragmentos menores, os chamados peptídeos, e em aminoácidos, que são absorvidos e distribuídos pelo organismo conforme suas necessidades.
Isso leva parte dos especialistas a questionar a ideia de que o consumo de colágeno possa produzir efeitos direcionados especificamente à pele ou aos cabelos.
A Genu-in argumenta que o tamanho reduzido dos peptídeos de colágeno da empresa permite que parte deles resista à digestão no trato gastrointestinal e seja detectada na circulação após a digestão .
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