Häagen-Dazs de saída do Brasil: os 4 motivos para o adeus da marca de sorvetes
Depois de quase 30 anos de operação no Brasil, a Häagen-Dazs vai deixar o país.
A multinacional americana General Mills, dona da marca de sorvetes premium, decidiu abandonar as suas vendas no território nacional.
O desfecho vinha sendo anunciado por números estagnados: entre 2021 e 2025 a marca se manteve em quinto lugar no mercado, com 2% de participação no setor.
No mesmo período, as vendas de sorvete cresceram no Brasil, de R$ 14,7 bilhões para R$ 20,3 bilhões ao ano, segundo a consultoria Euromonitor.
Especialistas ouvidos pela reportagem apontam ao menos quatro motivos para a saída da marca do país: a reestruturação global de portfólio da General Mills, que vem priorizando marcas americanas de maior escala; a mudança no comportamento de consumo do brasileiro, que passou a comprar menos, mas produtos mais caros; o fechamento das lojas próprias da Häagen-Dazs ainda em 2018, que afastou a marca do consumidor; e a falta de inovação e de investimento em um mercado premium que ficou mais concorrido.
Em comunicado divulgado esta semana, a General Mills afirma que "a marca Häagen-Dazs não será mais distribuída no Brasil, devido a um plano de reformulação de portfólio, anunciado em março de 2026".
Em março, a multinacional vendeu as suas operações no país, envolvendo as marcas Yoki e Kitano, para o Grupo 3Corações, especializado em cafés, por R$ 800 milhões.
A Häagen-Dazs, cujos produtos são importados, em especial da França, não foi incluída no negócio.
Divulgação/General Mills "O negócio de sorvetes exige toda uma logística de distribuição, de cadeia congelada, que é mais onerosa mesmo para as grandes empresas", diz Cecília Russo Troiano, sócia da Troiano Branding.
"Em caso de reestruturação de indústrias multimarcas, elas acabam priorizando categorias que não exigem tanto esforço e capital", diz a consultora.
É o caso tanto da General Mills, que vem se concentrando em marcas globais com forte presença nos Estados Unidos, como Betty Crocker (mistura para bolos) e Cheerios (cereais), quanto da Unilever, que no ano passado separou o negócio de sorvetes, dando origem à The Magnum Ice Cream.
Ao mesmo tempo, o consumo de sorvetes no Brasil vem mudando de perfil.
"O consumo de sorvetes e guloseimas no Brasil está se transformando: o público compra menos, mas prefere marcas mais caras, produtos de maior qualidade.
Esse é um dos efeitos também do uso de canetas emagrecedoras, que tiram a compulsão pela comida", diz Eduardo Halpern, professor do curso de Administração da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing).
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