Caiado é certeiro no que é ruim e incerto no que é imprescindível
A 40 dias da eleição, Ronaldo Caiado teve na sabatina da TV Globo uma penúltima oportunidade para provar que a terceira via existe. Desperdiçou a alta audiência e o palco exclusivo. Soou categórico sobre o que é lamentável: a anistia aos golpistas. E foi incapaz de esmiuçar a plataforma econômica que julga indispensável: "Não tenho condição de detalhar minúcias".
Ao defender o perdão a Bolsonaro e seus cúmplices, Caiado voltou a citar Juscelino Kubitschek. Faltou-lhe senso de ridículo. Os militares anistiados por JK após o levante de Jacareacanga (1956) tentaram um segundo golpe três anos depois, na revolta de Aragarças (1959). Jânio Quadros fez nova anistia em 1961. Decorridos mais três anos, alguns dos oficiais anistiados apoiaram o golpe de 1964. Deu em 21 anos de ditadura.
Além do desejo irrefreável de cometer erros antigos, Caiado cometeu um erro novo: disse coisas definitivas sem definir adequadamente as coisas na economia e na segurança. Não respondeu se pretende alterar a idade das aposentadorias. Não disse que despesas planeja cortar para ajustar as contas nacionais.
Na segurança, repetiu que vai criar com países vizinhos a SulPol. Disse que essa nova polícia sul-americana teria liberdade para realizar prisões nos territórios alheios. Citou o paralelo da Europol. Uma tolice. O acordo da Europol criou uma estrutura de cooperação e inteligência. Mas não suprimiu a soberania policial dos países-membros.
Certeiro no que é ruim e incerto no que julga imprescindível, Caiado deixou no ar uma impressão incômoda: um certo candidato nem sempre se confunde com um candidato certo.
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