Volkwagen cogita fechar fábricas na Alemanha para sair da crise
Volkwagen cogita fechar fábricas na Alemanha para sair da crise - Sob pressão da concorrência chinesa e dos altos custos na Alemanha, montadora amplia reestruturação e admite que fábricas podem deixar de ser viáveis.A direção da Volkswagen realiza nesta semana reuniões extraordinárias com os trabalhadores em meio a um programa inédito de corte de custos, que inclui relatos de até 100 mil demissões e o possível fechamento de várias fábricas de automóveis na Alemanha.
A indústria automobilística alemã enfrenta uma profunda crise estrutural devido a intensa pressão dos concorrentes chineses, transição para os veículos elétricos, aos custos mais elevados de produção, entre outros desafios.
Como a maior montadora da Europa em volume de vendas, a Volkswagen é a empresa mais exposta ao excesso de capacidade em suas fábricas alemãs, aos altos custos fixos e à dependência da China.
Os trabalhadores estão particularmente preocupados com a forma como a reestruturação foi comunicada até agora, algo que representantes classificaram como "desastroso".
Nove reuniões separadas serão realizadas. A primeira ocorreu nesta terça-feira (01/09) na sede da Volkswagen, em Wolfsburg. Também haverá encontros em outras unidades, incluindo Emden, Zwickau, Braunschweig e Hannover, antes do fim da semana.
Os trabalhadores já haviam concordado com cerca de 50 mil cortes de postos de trabalho, principalmente por meio de programas de desligamento voluntário. Mas a direção agora acredita que será necessário cortar outros 50 mil empregos.
O presidente-executivo da montadora, Oliver Blume, tem enfatizado que a Volkswagen está em uma situação "mais do que crítica" e que as medidas adotadas até agora não são suficientes para restaurar a competitividade. "Somos grandes demais. Isso muitas vezes nos torna lentos demais e complicados demais", disse aos funcionários em uma entrevista publicada na intranet da empresa na semana passada.
Com quase 630 mil funcionários, a Volkswagen tornou-se mais inchada do que suas concorrentes ao longo de décadas, após optar por controlar mais etapas da produção, incluindo componentes e software, ao mesmo tempo em que incorporava rivais como Skoda, Porsche, SEAT e Bugatti.
A montadora também demorou a fazer a transição para os veículos elétricos justamente quando concorrentes chineses ganhavam espaço, provocando uma forte queda nas vendas em seu antigo principal mercado, a China.
Blume alertou que a Volkswagen atualmente produz em excesso cerca de meio milhão de veículos por ano na Europa.
Embora o fechamento de fábricas na Alemanha seja considerado uma última alternativa, Blume afirmou que a administração "não consegue atualmente enxergar uma forma de elas permanecerem lucrativas na década de 2030".
Outras montadoras também criticaram os elevados custos operacionais da Alemanha.
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