Brasil domina entre clubes da América em contraste com declínio da seleção
Esta é a décima edição de competições sul-americanas com ano inteiro e mais de cinco clubes brasileiros na Libertadores.
A hegemonia só cresce. Pela quinta vez em seis anos, o Brasil chega às quartas-de-final com metade dos clubes na disputa.
Serão quatro na Libertadores: Corinthians, Flamengo, Fluminense e Palmeiras. Outros quatro na Sul-Americana: Atlético, Santos, São Paulo e Vasco.
Só em 2022, houve mais times do Brasil nesta fase afunilada dos torneios. Daquela vez, Atlético Goianiense, Ceará, Internacional e São Paulo, na Sul-Americana, Athletico Paranaense, Atlético Mineiro, Corinthians, Flamengo e Palmeiras na Libertadores.
Enquanto se fala sobre a possibilidade de espanholização do Campeonato Brasileiro, Flamengo e Palmeiras ameaçam fazer a terceira final entre os dois nas últimas seis edições. Nunca, jamais, Barcelona x Real Madrid fizeram a finalíssima da Champions League. Atlético de Madrid x Real Madrid, duas vezes.
O contraste do domínio dos clubes se soma ao momento de maior jejum de títulos da seleção brasileira. São sete anos, o que não acontecia desde a conquista da Copa América de 1989, que encerrou seca de dezenove anos sem vencer nem Mundial nem Continental.
A 11a colocação na Copa do Mundo, pior classificação em sessenta anos, soa como alarme de uma reforma necessária e urgente. A maior marca do Brasil no exterior ainda é sua seleção, não seu campeonato, não é o Flamengo, nem o Palmeiras. É diferente dos símbolos do futebol espanhol, campeão mundial masculino e feminino, a quem o mundo contempla pela seleção e também por Real Madrid e Barcelona.
Há 25 anos, o Brasil ganhava a Copa do Mundo e o Boca Juniors, a Libertadores. Até hoje, só em 1962 um clube brasileiro venceu o maior torneio da América do Sul no mesmo ano em que a seleção ganhava a Copa. Santos de Pelé e Brasil de Garrincha.
O trabalho precisa existir para somar as duas frentes. Clubes fortes, seleção forte.
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