'Algo fora do normal': repórter relata viagem em avião abandonado por Trump
Um repórter da agência de notícia Reuters descreveu como foi estar no avião presidencial abandonado secretamente por Donald Trump por risco de segurança durante viagem a Ancara, na Turquia.
A troca de aeronaves alimentou especulações no grupo de imprensa sobre uma possível ameaça, diante do histórico de tentativas do Irã de matar Trump. Segundo o relato de Slattery, no último dia do encontro, Trump mencionou repetidamente a repórteres que o Irã tentava assassiná-lo , o que "aumentou a sensação de que havia algo fora do normal".
Já a bordo do avião em que os jornalistas acreditavam que Trump viajaria, funcionários da Casa Branca mandaram os repórteres fecharem as persianas das janelas. A ordem foi atribuída ao Serviço Secreto e o plano inicial, de o avião fazer uma escala na Inglaterra antes de seguir até os EUA, permaneceu.
Tendo viajado antes no avião presidencial, eu sabia que essa exigência era atípica. Seria, talvez, uma tentativa de ocultar algum tipo de tecnologia de defesa confidencial? Gram Slattery, em relato à Reuters
Sem Wi-Fi e com acesso limitado a assessores, a imprensa passou o voo até a Inglaterra sem entender o que estava acontecendo. A Reuters relata que Trump não apareceu para conversar com os repórteres durante o trajeto, algo que, naquele momento, pareceu apenas mais um dia de viagem.
O desembarque na Inglaterra trouxe uma cena ainda mais estranha, que depois se mostrou parte de uma encenação. O repórter contou que viu Trump descer de outra parte do avião e caminhar até a aeronave mais nova, presenteada pelo Catar ao governo, enquanto agentes do Serviço Secreto o cercavam e um SUV oficial avançava ao lado.
A Reuters confirmou, mais de um mês após a orientação, que a instrução para fechar as persianas servia para esconder uma operação em que Trump saiu do avião por um caminhão de catering. O presidente então teria embarcado em outro jato do governo por causa de uma preocupação de segurança, e o relato afirma que ainda havia uma terceira aeronave envolvida na logística.
Questionado durante o voo seguinte sobre o motivo de não ter usado a aeronave do Catar até a Inglaterra, Trump negou que segurança tivesse pesado na decisão. Ao ser perguntado sobre as persianas, porém, ele reconheceu que enfrenta ameaças ligadas ao Irã e respondeu: "Mas se eu for, vocês vão. Certo? Talvez algum dia vocês queiram mudar de profissão.".
Mudança de avião na volta ocorreu em meio à escalada de tensão com o Irã. A Casa Branca havia anunciado que Trump deixaria Ancara no antigo Air Force One. O próprio presidente publicou na Truth Social que usaria o avião azul-claro "por causa dos velhos tempos".
Casa Branca defendeu os protocolos de segurança. "Como o presidente disse recentemente, há muitos inimigos dos Estados Unidos que estão de olho nele, e usamos todas as ferramentas à nossa disposição para lidar com essas ameaças.", afirmou o órgão.
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