Justiça da China condena ex-homem mais rico da Ásia à prisão perpétua
Nesta quinta-feira (20/08), o Tribunal de Shenzhen decretou a condenação de Hui Ka Yan, fundador da Evergrande, outrora maior empresa imobiliária da China , pela fraude financeira que afetou cerca de 1,5 milhão de pessoas no país, em 2021, e que levou à falência e posterior liquidação da companhia.
A Justiça chinesa impôs a Hui a pena de prisão perpétua, além do confisco de todos os seus bens pessoais.
O caso veio à tona em 2021, com o estouro de uma bolha imobiliária surgida a partir do modelo de negócios da Evergrande, que acumulou empréstimos massivos para comprar terrenos e erguer edifícios, enquanto realizava pré-vendas de imóveis que cuja construção não estava concluída.
Segundo a agência chinesa Xinhua , a fraude promovida pela Evergrande afetou mais 1,5 milhão de pessoas e deixou paralisadas as obras para construção de cerca de 720 mil apartamentos vendidos previamente.
Ainda em 2021, o governo da China realizou uma intervenção na empresa, a partir da qual indenizou os clientes afetados e concluiu a construção dos imóveis que já estavam vendidos.
Também foram indenizados mais de 200 mil funcionários diretos e milhões de trabalhadores de setores dependentes da construção civil na China.
Em 2024, o Tribunal de Hong Kong determinou a liquidação da Evergrande.
A condenação causou repercussão na imprensa mundial, devido ao que pode ser a primeira ocasião em que um bilionário é sentenciado a uma pena de prisão perpétua.
Hui Ka Yan é fundador da Evergrande e considerado culpado pela fraude financeira realizada pela empresa Xinhua
O ranking de maiores fortunas do planeta elaborado pela revista Forbes , em sua edição do ano de 2017, apontou Hui como o dono da maior fortuna da Ásia. Na ocasião, ele possuía pouco mais de US$ 45,3 bilhões em patrimônio.
Em 2020, um outro ranking, também divulgado pela Forbes , listou a Evergrande como uma das maiores empresas do mundo, com valor de mercado em torno de US$ 100 bilhões naquele então.
Com a descoberta da fraude imobiliária, em 2021, e a posterior intervenção do governo chinês na empresa, a fortuna de Hui despencou.
Em 2023, segundo a agência Reuters, o patrimônio do empresário era de pouco mais de US$ 3 bilhões, 15 vezes menos do que o registrado seis anos antes.
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