Em meio à onda de calor e ao alto risco de incêndios, bombeiros franceses entram em greve
Enquanto a França enfrenta a quinta onda de calor do ano, com mais da metade do território sob alerta laranja, um nível abaixo do máximo, os bombeiros iniciam uma greve nesta quinta-feira (13), justamente no dia previsto para o pico das temperaturas. A categoria reivindica equipamentos modernos, reforço no efetivo e medidas de proteção à saúde dos profissionais. Segundo um porta-voz sindical, o atual sistema de combate a incêndios já não é suficiente para enfrentar a intensificação dos fenômenos climáticos.
Os bombeiros franceses aproveitam o contexto de uma nova onda de calor e do elevado risco de incêndios para dar visibilidade às suas reivindicações. Nove organizações sindicais convocaram a categoria para uma greve nesta quinta-feira (13). Em comunicado, as entidades conclamaram os profissionais a se mobilizar "por todos os meios legais disponíveis", seja aderindo à paralisação, usando sinais distintivos, participando de ações organizadas localmente ou ampliando a divulgação do movimento.
Com 41 anos de atuação na corporação, o tenente Ludovic Goblet, do Serviço Departamental de Incêndio e Socorro de Somme, no norte da França , afirma que faltam recursos e melhores condições de proteção para os profissionais que combatem incêndios. "Há um sentimento de saturação. Repetimos as mesmas coisas há mais de dez anos", disse.
Goblet, que também é vice-presidente do sindicato de bombeiros Spasdis-CFTC, declarou ao portal de notícias France Info que o sistema francês de combate a incêndios vem se deteriorando. "Depois dos incêndios registrados no início do verão, precisamos fazer nossa voz ser ouvida. As coisas ainda podem mudar", afirmou.
“Estamos em um sistema que precisa ser reformulado. Precisamos de mais recursos em termos de veículos e equipamentos, porque, no momento, eles não são suficientes. É necessário que sejam adequados e compatíveis com os novos fenômenos climáticos, que estão cada vez mais violentos. Também precisamos de mais pessoal” disse.
Na França, os Serviços de Bombeiros integram a Segurança Civil e contam tanto com profissionais remunerados quanto com voluntários. Estes últimos representam cerca de 80% do efetivo nacional e, por não atuarem em regime integral, têm disponibilidade limitada para as missões de emergência.
“Pedimos um efetivo mais adequado às nossas necessidades. Não estamos exigindo que seja composto por 50% de bombeiros profissionais e 50% de voluntários, mas, pelo menos, que seja garantido um equilíbrio que permita assegurar a continuidade do serviço”, explica Goblet.
Os bombeiros também cobram maior atenção à saúde da categoria. Entre as reivindicações estão o reforço do acompanhamento médico dos profissionais e o reconhecimento de certas doenças ligadas à atividade, como alguns tipos de câncer, como doenças ocupacionais.
“Essa situação não é de hoje. Com os eventos de alcance nacional que vivemos durante o verão, o tema ganhou espaço na mídia.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.rfi.fr — o conteúdo pertence a RFI Brasil.