Aposentada perde R$ 37 milhões em golpe de investimentos no RS
A Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou hoje uma operação contra uma quadrilha suspeita de golpes por meio de falsas plataformas de investimento e também lavagem de dinheiro.
Estão sendo cumpridos 10 mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão . As ordens judiciais estão sendo realizadas em estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo. Além das prisões, há medidas cautelares decretadas contra outros oito investigados.
Os nomes dos alvos não foram divulgados. Entre eles estão empresários, administradores de empresas, operadores financeiros, pessoas relacionadas à operacionalização e disponibilização de contas bancárias e uma profissional do sistema bancário.
A investigação começou depois que uma idosa de 70 anos relatou à polícia um prejuízo de mais de R$ 37 milhões. "Ela recebeu esses valores de uma herança e gostava de fazer esses investimentos. Ela tinha um perfil muito agressivo nos investimentos, tanto que o corretor dela incentivava a fazer uns menos agressivos, mas ela gostava de apostar alto", explicou o delegado Eibert Moreira ao UOL .
A mulher, então, retirou seu dinheiro da corretora lícita que havia contratado e o direcionou para a organização criminosa sem saber ser uma fraude. Investigadores disseram que ela foi submetida a um processo gradual de convencimento, onde os pagamentos foram feitos em partes sob a expectativa de retornos financeiros.
Inicialmente, a aposentada foi colocada em grupos de mensagens que simulavam comunidades legítimas de estudo e investimentos no mercado financeiro. Neles, haviam supostos especialistas, assistentes e outros participantes, que interagiam para criar aparência de profissionalismo e segurança. Os suspeitos apresentavam análises de mercado, orientações financeiras e resultados aparentemente positivos.
Quando a vítima tentava retirar o dinheiro, no entanto, os saques eram bloqueados. A partir daí, passavam a surgir novas exigências financeiras, como supostas taxas, impostos ou valores necessários para liberação do patrimônio, de acordo com a polícia.
Apuração identificou ao menos 140 potenciais vítimas nos ambientes digitais. Após a deflagração da operação, agentes farão análise do material apreendido, identificação de novos lesados e outros possíveis envolvidos, além da localização de bens e valores passíveis de recuperação.
Quadrilha usava laranjas e tinha cadeia de movimentação do montante, diz a polícia. Criminosos faziam a captação de pessoas para figurarem como titulares de empresas e contas bancárias. Depois disso, após entrarem nas primeiras contas, os valores eram distribuídos para outros CNPJs e intermediadores financeiros.
Em algumas situações, as cifras eram convertidas em criptoativos. O rastreamento financeiro demonstrou que, em um dos caminhos analisados, foram convertidas aproximadamente 675 mil unidades de USDT em apenas três dias. "A investigação identificou sucessivas etapas de pulverização e concentração dos recursos, com movimentações realizadas em períodos extremamente curtos."
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