China tenta reduzir dependência de alimentos importados; o que isso significa para o agro brasileiro
Segurança alimentar: um desafio de estratégia e sobrevivência entre EUA e China "A tigela de arroz do povo chinês tem que estar firme nas próprias mãos, cheia principalmente de comida chinesa." A frase, repetida há mais de uma década pelo presidente Xi Jinping, resume a estratégia que vem orientando a política de segurança alimentar da China: produzir mais alimentos internamente e depender menos das importações. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Esse objetivo aparece nas metas estabelecidas pelo governo chinês em seu 15º Plano Quinquenal, publicado no início do ano para o período de 2026 a 2030. 🔎 O Plano Quinquenal reúne as principais metas estratégicas da China para períodos de cinco anos, com objetivos de desenvolvimento econômico e social.
Nesta edição, o documento prevê ampliar a produção interna de produtos dos quais o Brasil é hoje um dos principais fornecedores, como soja, milho e carne. (saiba mais abaixo) As cotas de importação de carne bovina impostas pela China neste ano a diversos países, incluindo o Brasil, já fazem parte desse movimento.
O país trabalha para elevar sua autossuficiência em carne bovina e ovina de 70% para 85%.
Mas como fica o Brasil diante dessa nova estratégia? Especialistas ouvidos pelo g1 avaliam que o cenário não aponta para uma ruptura nem para uma queda drástica das importações chinesas, mas já exige adaptação por parte das empresas brasileiras.
“O jogo dos próximos anos não é vender mais tonelada, é vender a melhor tonelada.
Isso significa agregar valor, sair da commodity pura para corte premium, produto processado e marca.
E diversificar destinos, para não ficar refém de um comprador só”, afirma Theo Paul Santana, fundador da consultoria Destino China, que facilita negócios com o país asiático.
“Continuaremos importantes por um motivo que a própria China reconhece: ela pode fazer maravilhas em engenharia, mas ainda não dá para inventar terra e água”, acrescenta.
Embora tenha um território maior que o do Brasil, a China dispõe de uma parcela limitada de terras aptas à agricultura.
Boa parte do país é formada por regiões montanhosas, áridas ou desérticas.
Além disso, concentra menos de 5% da água doce disponível no planeta.
Por isso, os planos da China devem avançar principalmente por meio do aumento da produtividade — ou seja, produzir mais na mesma área com o apoio de tecnologias, como melhoramento genético de sementes e maquinário mais avançado.
Larissa Wachholz, ex-assessora especial do Ministério da Agricultura e sócia da Vallya Associados, afirma que, embora a China esteja longe de se tornar 100% autossuficiente, não se deve subestimar sua capacidade de cumprir as metas que estabelece.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em g1.globo.com — o conteúdo pertence a G1 Mundo.