Lula depende de manter eleitor recuperado da direita; Flávio, de reatraí-lo
Em 2018, 14 das 15 “cidades-pêndulo” com mais eleitores (com exceção de Aracaju) caminharam em uma mesma rota: na esteira da Operação Lava Jato e da crise econômica do governo Dilma (e do impeachment), votaram no então deputado federal e capitão da reserva do Exército Jair Bolsonaro (PL) .
Quatro anos depois, em 2022, o governo Bolsonaro chegava ao fim marcado pela pandemia e a consequente crise econômica .
E Lula (PT) , com o mote de fazer “o povo voltar a comer picanha e tomar cerveja” e agarrado na memória dos bons indicadores econômicos dos anos 2000, inverteu a balança e levou a melhor em 13 desses 15 municípios (com exceção de Campos dos Goytacazes, no RJ, e Maceió) em 2022.
Agora, Flávio Bolsonaro (PL) puxa a corda para recuperar esse eleitor enquanto Lula tenta mantê-lo – após quatro anos que culminaram com o brasileiro mais preocupado com corrupção, economia e segurança pública.
Leia Mais Lula sobre Lulinha: São ilações tiradas de conversas com lobista "pilantra" Voto "Lulísio" em SP e "Bolsopaes" no RJ desafiam campanhas adversárias Após debate, Cury é candidato com maior crescimento de seguidores e buscas O conceito de “cidade-pêndulo” foi definido pelo instituto ReDem (Representação e Legitimidade Democrática), vinculado à UFPR (Universidade Federal do Paraná).
Ele classifica os municípios que, de 2002 a 2022, oscilaram ao menos duas vezes entre o candidato do PT e o nome da direita no segundo turno da eleição presidencial.
São cidades onde os eleitores votaram em maioria, por exemplo, em Dilma Rousseff (PT) em 2014, depois migraram para Jair Bolsonaro em 2018 e, em 2022, optaram pela volta de Lula ao poder.
Ao todo, 34,1 milhões de eleitores – ou 21,6% do eleitorado nacional – estão registrados para votar nessas cidades.
Todas as 15 “cidades-pêndulo” com mais eleitores tiveram maioria a favor de Lula contra José Serra, do PSDB, em 2002 – levando pela primeira vez um metalúrgico para a Presidência da República.
Mas, entre 2006 e 2014, os eleitores dessas cidades foram se desgarrando aos poucos do PT.
Porto Alegre virou uma cidade tucana em 2006, na esteira do escândalo do Mensalão.
Belém deixou o petismo em 2010, preferindo Serra a Dilma.
São Bernardo do Campo (SP), berço da atividade sindical de Lula, foi para a direita em 2014, com Aécio Neves (PSDB).
E João Pessoa foi de Bolsonaro em 2018.
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