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Sobrevida do câncer aumenta e sistemas de saúde precisam estruturar cuidado de quem superou a doença

Futuro da Saúde ·
Sobrevida do câncer aumenta e sistemas de saúde precisam estruturar cuidado de quem superou a doença

Dados epidemiológicos de sobreviventes do câncer ainda são escassos no Brasil; ausência de diretriz oficial dificulta construção de linhas de cuidado

O cenário do câncer se transformou muito ao longo das últimas décadas. Com os avanços tecnológicos e científicos, a sobrevida de pacientes está aumentando após o diagnóstico e tratamento de um tumor. Agora os sistemas de saúde começam a se preparar para um novo desafio: estruturar o cuidado de longo prazo de pessoas que superaram a etapa e buscam qualidade de vida.

Dimensionar o contingente de sobreviventes de câncer no Brasil ainda é um gargalo, já que o país não dispõe de uma estimativa nacional consolidada dessa população. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) publicou, em 2025, um artigo sobre os desafios e as potencialidades para obter essa estimativa a partir das taxas de óbitos dos pacientes; entre os obstáculos estavam, por exemplo, a inconsistência e baixa qualidade desses dados e a multiplicidade de fontes, entre outros fatores.

Esse desconhecimento acaba levando a uma ausência de diretrizes terapêuticas oficiais e na inexistência de linhas de cuidado padronizadas – o que no cenário internacional já recebe o nome de survivorship care, ou “cuidados para sobreviventes”, em tradução livre. O resultado é um paciente que, muitas vezes, se encontra desassistido em relação a demandas como sequelas do tratamento oncológico, risco aumentado para comorbidades e desenvolvimento de neoplasias subsequentes. E que também não tem amparo para lidar com as questões psicossociais provocadas pela jornada oncológica.

“Estamos em um momento da oncologia em que temos que discutir como adicionamos vida aos dias do paciente, e não apenas dias à vida dele”, argumenta Tatiana Azevedo, médica radioncologista e integrante da equipe de Medicina Integrativa e do Programa de Sobreviventes no Einstein. “A taxa de sobrevida é importante, mas tão importante quanto é ofertar um cuidado que permita que essa pessoa viva bem pelo tempo de vida que ainda terá.”

O tema tem despontado como prioridade na saúde pública e foi tópico de uma série de publicações em 2022 na revista científica The Lancet. O compilado destacou que os modelos atuais de assistência, predominantemente conduzidos por especialistas, não atendem adequadamente às necessidades físicas, psicossociais e de cuidados de suporte desses sobreviventes.

Segundo Roberto Gil, diretor-geral do INCA, o próprio conceito de sobrevivente do câncer tem ganhado novas nuances. Ele se estende de pacientes clinicamente curados aos que vivem com a doença ativa, porém controlada, partindo para uma “cronificação” da condição, com diferentes perfis entre os dois pontos.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em futurodasaude.com.br — o conteúdo pertence a Futuro da Saúde.

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