Para Esteves, do BTG, 'volume de títulos isentos no Brasil é completamente absurdo'
O chairman do BTG Pactual, André Esteves, afirmou que a busca do equilíbrio fiscal não é uma política econômica de direita nem de esquerda, mas uma responsabilidade com a sociedade.
Segundo ele, o ajuste fiscal necessário é fácil de fazer e "não é partidário, não é ideológico".
Em painel durante evento promovido pelo Esfera Brasil, Esteves explicou que, principalmente em momentos de disputa política, sempre existe alguma ideologia em termos de políticas econômicas, mas argumentou que a necessidade de buscar um equilíbrio fiscal já é algo bastante consolidado.
"Se você gasta mais que do que ganha, isso vai virar um problema.
A direção é clara.
Com um grau de crescimento que tivemos no gasto público, está fácil de fazer.
Temos uns 50 economistas no Brasil qualificados para adotar três ou quatro medidas que precisam ser feitas." Questionado se, em caso de vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o ajuste viria pelo lado da despesa ou da receita, ele comentou que é preciso pensar dos dois lados.
Na despesa, disse que o ritmo de crescimento dos gastos atualmente é insustentável.
Na receita, admitiu que o volume de títulos isentos no Brasil é completamente absurdo.
"E olha que eu sou detentor e emissor desses títulos, mas está errado.
E isso é algo no lado da receita." Segundo ele, “nós não somos condenados a viver com juros altos porque somos brasileiros”.
"Seja Lula ou seja Flávio (Bolsonaro, do PL), existe um último passo a ser dado para a consolidação da estabilidade da economia brasileira, que é trazer o Brasil para juros civilizatórios.
Uma taxa de 14% é sufocante para qualquer empresa, incluindo os bancos. [...] Se levar o juro de 14% para 7%, o que é perfeitamente possível, isso é uma mudança de patamar que tem enorme impacto na sociedade.
Vale muito mais do que qualquer programa social, políticas de governo, aumentar um pouquinho os investimentos." Já quando perguntando se, em um eventual governo Flávio Bolsonaro, ele espera um "tesouraço" ou um "bisturi" nos cortes de gastos, Esteves disse que não é preciso nenhum dos dois.
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