“O Brasil foi roubado”
A prisão preventiva do argentino Fernando Cerimedo, determinada pela Justiça boliviana, não interessa apenas à investigação da tentativa de feminicídio de sua ex-companheira, Nadia Beller, atingida por três tiros.
Interessa também à eleição presidencial brasileira.
Na manhã desta segunda-feira, 24 de agosto, Jamil Chade e Cleber Lourenço revelaram no ICL Notícias que integrantes do Palácio do Planalto temem uma ofensiva internacional de desinformação destinada a interferir na reta final da disputa presidencial.
A preocupação está voltada para uma rede que atravessa Brasil, Argentina, Honduras, Estados Unidos e Israel — e na qual Fernando Cerimedo aparece ligado a Eduardo Bolsonaro e a operadores do trumpismo.
O temor do governo olha para o que pode acontecer nas próximas semanas.
Mas, para compreender o risco, é preciso voltar ao que já aconteceu.
Em 2022, Cerimedo espalhou a mentira de que a eleição havia sido roubada.
Seu material circulou entre militares, integrantes do Gabinete do Ódio e auxiliares de Jair Bolsonaro, alcançou milhões de brasileiros e ajudou a embasar a contestação eleitoral apresentada pelo PL.
Agora, celulares, computadores, documentos, equipamentos de comunicação e registros financeiros ligados ao argentino estão nas mãos das autoridades bolivianas.
Talvez nada revelem.
Mas poderão ajudar a esclarecer quem financiou, abasteceu e orientou suas operações políticas em diferentes países.
A máquina de Trump O Intercept Brasil definiu Fernando Cerimedo como o “Steve Bannon latino”.
A comparação é reveladora.
Como Bannon, ele não atua apenas como marqueteiro eleitoral: organiza a guerra cultural, constrói redes transnacionais e transforma a desinformação em instrumento de poder.
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