PF aperta cerco sobre ‘Dark Horse’ e aciona Ancine para apurar esquema do clã Bolsonaro com Vorcaro
A Polícia Federal (PF) ampliou as apurações sobre o financiamento de Dark Horse , cinebiografia de Jair Bolsonaro estrelada pelo ator norte-americano Jim Caviezel, e agora cobra explicações da Agência Nacional do Cinema (Ancine) sobre a produção.
Em ofício enviado em 18 de agosto, a PF deu dez dias para que a agência informe a situação do filme no Brasil, apresente dados sobre produtores e empresas envolvidos e esclareça se a obra recebeu algum tipo de incentivo ou recurso público.
O pedido faz parte da investigação que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro André Mendonça, e ganhou força após a divulgação de mensagens atribuídas a Flávio Bolsonaro nas quais o senador cobra recursos de Daniel Vorcaro , dono do Banco Master, para financiar a produção.
A PF investiga se os valores atribuídos ao financiamento de Dark Horse foram efetivamente destinados ao filme.
Uma das suspeitas é de que parte do dinheiro possa ter sido usada para custear despesas de Eduardo Bolsonaro durante seu fuga nos Estados Unidos.
PF quer saber quem está por trás de Dark Horse No documento de duas páginas enviado à Ancine, a PF pede que a agência informe a “situação jurídica atual” de Dark Horse , além do cronograma de execução da obra e da existência de procedimentos administrativos relacionados à produção, como comunicação de filmagem, certificação ou registro.
Os investigadores também querem identificar todas as pessoas físicas e jurídicas vinculadas ao projeto, incluindo produtores, coprodutores, distribuidoras, representantes legais e outros participantes cadastrados no banco de dados da agência.
A Ancine confirmou que recebeu a requisição e informou que prestará os esclarecimentos dentro do prazo determinado pela PF.
A investigação corre no STF sob relatoria de André Mendonça.
Ancine já autuou produtora do filme de Bolsonaro A cobrança da PF ocorre depois de a própria Ancine identificar uma irregularidade na produção.
Em 28 de julho, a agência autuou a Go Up Entertainment por realizar filmagens de Dark Horse no Brasil sem fazer a comunicação prévia obrigatória para produções estrangeiras.
O auto de infração, emitido pela Superintendência de Fiscalização e Combate à Pirataria, registra a irregularidade como “produzir no Brasil a obra cinematográfica estrangeira DARK HORSE sem comunicar o fato à ANCINE”.
A infração pode resultar em multa de R$ 2 mil a R$ 100 mil.
A Go Up Entertainment afirmou que pretende colaborar com as investigações, mas disse que se reserva a seus direitos constitucionais.
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