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Um ovo fertilizado virou um mapa de milhares de descendentes porque cientistas fizeram o próprio DNA registrar a história de cada célula

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Um ovo fertilizado virou um mapa de milhares de descendentes porque cientistas fizeram o próprio DNA registrar a história de cada célula

Tecnologia DNA Typewriter reconstrói a ancestralidade de 1,28 milhão de células e revela quando os tecidos começam a se diferenciar no embrião

Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Pesquisadores conseguiram reconstruir a história de aproximadamente 1,28 milhão de células de um embrião de camundongo, começando no óvulo fertilizado. A tecnologia DNA Typewriter registrou marcas genéticas durante o desenvolvimento, permitindo identificar ancestrais celulares e descobrir quando diferentes tecidos começaram a seguir caminhos próprios.

Todos os tecidos de um mamífero começam com uma única célula fertilizada, chamada zigoto. Durante o desenvolvimento, sucessivas divisões produzem células que posteriormente formam órgãos, músculos, pele e sistema nervoso. Reconstruir essas relações sempre foi difícil porque os embriões de mamíferos possuem milhões de células.

A tecnologia DNA Typewriter oferece uma solução: inserir um sistema molecular que grava pequenas alterações ordenadas no DNA. Essas marcas são transmitidas às células descendentes, permitindo reconstruir relações familiares sem acompanhar continuamente cada divisão por microscopia.

O experimento acompanhou aproximadamente 13,5 dias de desenvolvimento embrionário, período suficiente para observar a formação de importantes estruturas corporais. Os cientistas reconstruíram relações ancestrais entre 1,28 milhão de células, associando suas marcas genéticas à identidade molecular de cada uma.

Uma descoberta importante ocorreu logo na primeira divisão do zigoto. As duas células resultantes deixaram assinaturas diferentes, permitindo acompanhar seus descendentes. Embora uma tenha produzido mais células, ambas contribuíram com proporções semelhantes para diversos tipos celulares.

O método utiliza uma tecnologia de edição genética chamada prime editing, capaz de inserir pequenas sequências em regiões previamente preparadas do genoma. Essas regiões funcionam como fitas de registro molecular, nas quais novas marcas são acrescentadas numa ordem determinada.

Quando uma célula se divide, suas descendentes herdam os registros existentes e podem receber novas marcas. Comparando essas sequências, os pesquisadores identificam ancestrais compartilhados. O sistema não fotografa cada divisão: ele permite reconstruir posteriormente a árvore genealógica por meio de informações genéticas.

O estudo publicado na revista Science , em 8 de outubro de 2026, foi conduzido por Qi Yu, Haedong Kim, Sophie Seidel e colaboradores, sob liderança de Jay Shendure e Chengxiang Qiu, da Universidade de Washington, em Seattle.

A equipe iniciou experimentos com 100 óvulos fertilizados e conseguiu examinar dez embriões. Um deles apresentou registros especialmente completos e foi selecionado para análise aprofundada. Os cientistas combinaram sequenciamento de células individuais, informações sobre atividade genética e métodos computacionais para reconstruir sua ancestralidade.

As análises revelaram que diferentes tecidos começam sua especialização em momentos distintos.

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