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Este labirinto descrito com 3.000 salas sob a areia do Egito ainda desafia arqueólogos

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Este labirinto descrito com 3.000 salas sob a areia do Egito ainda desafia arqueólogos

Relatos antigos, escavações e levantamentos geofísicos ajudam a separar as evidências reais das histórias sobre milhares de câmaras ocultas

No oásis de Fayum, perto da pirâmide do faraó Amenemhat III, vestígios de uma construção monumental alimentam um dos maiores enigmas da arqueologia egípcia. O Labirinto de Hawara realmente aparece em relatos antigos, mas a história de milhares de salas intactas escondidas no subsolo exige separar evidências arqueológicas de interpretações ainda não confirmadas.

O número vem principalmente de Heródoto, que visitou o Egito no século V a.C. O historiador grego descreveu um complexo extraordinário com 12 pátios e 3.000 compartimentos, divididos igualmente entre estruturas superiores e subterrâneas. Ele afirmou ter percorrido a parte acessível, enquanto os aposentos inferiores não lhe teriam sido mostrados.

Isso significa que as “3.000 salas” não são uma contagem confirmada por escavações modernas. Outros autores antigos, como Estrabão, também descreveram um enorme conjunto arquitetônico próximo a uma pirâmide, mas seus relatos apresentam diferenças importantes. A dimensão exata e a organização interna permanecem debatidas.

A arqueologia confirma que existiu um grande complexo ao sul da pirâmide de Amenemhat III. Flinders Petrie trabalhou em Hawara entre 1888 e 1889 e identificou vestígios associados ao monumento conhecido como labirinto, embora grande parte das pedras tenha sido retirada e reutilizada ao longo dos séculos.

Levantamentos geofísicos posteriores reacenderam o interesse pela possibilidade de estruturas preservadas abaixo do nível atual do terreno. A chamada Expedição Mataha realizou medições em 2008, mas interpretar anomalias de radar como milhares de salas intactas é um salto que as evidências disponíveis ainda não permitem afirmar com segurança.

O vídeo abaixo aborda especificamente a busca pelo labirinto de Hawara e as investigações arqueológicas recentes no local, permitindo visualizar a área ao redor da pirâmide e compreender por que o monumento continua provocando novas pesquisas.

Petrie encontrou uma grande área coberta por fragmentos de calcário. Segundo estudos arqueológicos posteriores, o complexo foi explorado como fonte de pedra durante séculos, e blocos chegaram a ser retirados para obras modernas. Por isso, aquilo que Heródoto teria visto não sobreviveu acima do solo como os grandes templos de Luxor ou Karnak.

Ainda assim, fragmentos arquitetônicos, esculturas e inscrições relacionam o conjunto ao reinado de Amenemhat III, da 12ª Dinastia. Uma análise acadêmica sobre as escavações de Petrie confirma que o arqueólogo conseguiu identificar a área atribuída ao labirinto durante seus trabalhos em Hawara.

A distinção é importante porque conteúdos virais costumam apresentar o monumento como uma cidade subterrânea já localizada e simplesmente mantida fechada. A evidência arqueológica é mais cautelosa: existe um grande complexo histórico comprovado em Hawara e há interesse científico em investigar estruturas abaixo da superfície.

Também não há base sólida para afirmar que arqueólogos já entraram em uma rede intacta contendo exatamente milhares de câmaras.

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