Um em cada quatro pessoas terá insuficiência cardíaca ao longo da vida
A insuficiência cardíaca avança silenciosamente como uma das maiores ameaças à saúde pública no mundo.
Embora o nome possa sugerir que o coração “parou de funcionar”, trata-se, na verdade, de uma condição crônica e progressiva em que o órgão perde a capacidade de bombear sangue adequadamente para atender às necessidades do organismo.
O resultado é um impacto profundo na qualidade de vida, com sintomas como falta de ar, cansaço, inchaço e limitações para atividades simples do cotidiano, além de elevadas taxas de hospitalização e mortalidade.
Os números globais impressionam.
Mais de 55 milhões de pessoas convivem com insuficiência cardíaca no planeta, mais que o dobro do registrado em 1990.
E as projeções indicam que esse cenário continuará se agravando nas próximas décadas, impulsionado pelo envelhecimento populacional, pelo aumento da obesidade, do diabetes e da hipertensão arterial.
O risco de desenvolver insuficiência cardíaca ao longo da vida já é estimado em aproximadamente 25%.
Apesar dos avanços terapêuticos observados nos últimos anos, ainda existem profundas desigualdades no enfrentamento da doença.
O estudo internacional PURE, que avaliou mais de 172 mil participantes em 25 países, demonstrou diferenças alarmantes na mortalidade após episódios de insuficiência cardíaca.
Em países de baixa renda, a letalidade em 30 dias pode chegar a 59%, enquanto em países de alta renda fica em torno de 11%.
Em cinco anos, a mortalidade alcança 77% nos países mais pobres, comparada a 28% nos países ricos.
Esses dados evidenciam como acesso ao diagnóstico precoce, tratamento adequado e acompanhamento contínuo fazem diferença na sobrevivência dos pacientes.
No Brasil, a insuficiência cardíaca apresenta desafios particulares.
Além dos fatores clássicos de risco cardiovascular, como hipertensão arterial, diabetes, obesidade e colesterol elevado , ainda convivemos com doenças historicamente relevantes em nosso contexto epidemiológico, como a doença de Chagas e as doenças valvares reumáticas.
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