Por que a Copa de 2026 vai ficar marcada pelas bets e não pelo futebol?
A Copa do Mundo de 2026 deveria ser lembrada pelo futebol.
Mas, no Brasil, ganhou força um capítulo à parte: o evento está sendo lembrado, também, como a “Copa das Bets”.
Um terço da população afirma ter apostado desde o início da competição, e um levantamento apontou que 56% dos brasileiros pretendiam participar de apostas ou bolões ao longo do Mundial.
A análise de uma amostra de 1,2 milhão de pessoas monitorada pela empresa Klavi mostrou o envio de aproximadamente R$ 1 bilhão para casas de apostas durante o torneio, com a proporção de apostadores diários quase dobrando, de uma média de 8,3% para 14,1%.
Ao mesmo tempo, houve um aumento de 588% no número médio diário de pedidos de autoexclusão na comparação com um período equivalente do mês de maio, antes da Copa.
Não é exagero dizer que, pela primeira vez, um evento esportivo global tornou visível, em tempo real, o tamanho do problema que o Brasil enfrenta.
Conheça o JOTA PRO Poder, plataforma de monitoramento que oferece transparência e previsibilidade para empresas O caso da CazéTV foi a prova mais evidente do problema.
Detentora dos direitos de transmissão de todos os 104 jogos, a plataforma passou a inserir dicas e incentivos a apostas na própria narração das partidas, misturando análise esportiva com estímulo comercial direto.
A prática levou o Conar a recomendar a suspensão liminar de peças publicitárias e motivou a abertura de apuração pela Secretaria Nacional do Consumidor ( Senacon ), por suspeita de publicidade abusiva.
Diante da pressão, o canal recuou e alterou o formato, mas o episódio expôs como a linha entre entretenimento e indução ao jogo se tornou tênue no ecossistema esportivo brasileiro.
O governo federal reagiu e o Ministério da Fazenda anunciou três portarias no dia 10 de julho.
Duas delas passam a exigir advertências obrigatórias nas peças publicitárias, proíbem a associação das apostas a “ganho fácil” ou “investimento”, vedam o uso de senso de urgência e de comentaristas para induzir apostas, e ampliam a proteção de crianças e adolescentes.
A terceira cria um grupo de trabalho para fiscalizar o setor.
São medidas positivas, que respondem a demandas antigas do setor de saúde e demais setores afetados.
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