'Nova' Americanas aposta em eficiência para se reconstruir, mas balanço aponta novo prejuízo
Balanço da Americanas: companhia apresentou prejuízo líquido de R$ 274 milhões entre abril e junho deste ano, alta de 179,6% em relação aos R$ 98 milhões negativos registrados um ano antes (Americanas/Divulgação)
Três anos e meio após a maior fraude corporativa do Brasil, a Americanas (AMER3) tenta escrever um novo capítulo de sua história quase centenária. Mas o balanço do 2° trimestre mostra que ainda há muito a ser feito.
A companhia apresentou prejuízo líquido de R$ 274 milhões entre abril e junho deste ano, alta de 179,6% em relação aos R$ 98 milhões negativos registrados um ano antes. O Ebitda ajustado, indicador que mede o desempenho operacional sem efeitos financeiros e contábeis, caiu 51,5%, para R$ 145 milhões, enquanto a receita líquida recuou 1,7%, para R$ 3,3 bilhões.
Os números, isoladamente, parecem pouco compatíveis com a narrativa de recuperação defendida pela administração. Mas é na operação que a Americanas concentra seus esforços e onde seus executivos enxergam os sinais mais importantes de reconstrução da varejista.
"A nossa companhia ainda gera um resultado operacional negativo", afirmou o CEO Fernando Soares em entrevista à EXAME nesta quinta-feira, 13. "Com os efeitos extraordinários, o resultado fica muito volátil: uma hora aparece positivo, outra hora volta a ficar negativo. Por isso, estamos limpando esses efeitos e olhando apenas para a operação".
Nesse recorte, a companhia aponta que saiu de uma perda de R$ 796 milhões no 1° semestre de 2024 para R$ 548 milhões em 2025 e chegou a R$ 297 milhões negativos neste semestre. Ainda é um resultado negativo, mas representa uma melhora de cerca de R$ 250 milhões em um ano. Um ponto alto, segundo a empresa , é a disciplina na gestão de despesas, com uma economia de R$ 76 milhões no semestre.
O chamado Same Stores Sales (SSS), indicador que mede o desempenho das unidades com um ano ou mais de operação, cresceu 9,3% no primeiro semestre, enquanto as despesas de vendas, gerais e administrativas recuaram 12,3% no segundo trimestre, para R$ 772 milhões. As vendas online a partir do estoque das lojas físicas, por sua vez, avançaram 74,6% no semestre.
O CFO da Americanas, Sebastien Durchon, explica que parte da dificuldade de leitura dos números vem justamente da comparação com os anos anteriores. Em 2024 e 2025, a companhia reconheceu centenas de milhões de reais em créditos fiscais e decisões judiciais favoráveis. Esses ganhos extraordinários ajudaram os resultados passados, enquanto a operação ainda apresentava perdas.
Agora, os efeitos tributários estão diminuindo e, ao mesmo tempo, a perda operacional também está encolhendo. "A soma dos dois passa a impressão que a variação é negativa, mas dentro dessa variação negativa você tem uma redução muito grande do ganho tributário que ajudou no passado, que não ajuda quase nada hoje, e você tem essa perda operacional que vem reduzindo", disse Durchon.
Apesar da melhora operacional, a companhia ainda terminou o trimestre em uma situação financeira mais pressionada. A Americanas saiu de uma posição de caixa líquido de R$ 488 milhões no fim de 2025 para uma dívida líquida de R$ 1.023 bilhão em junho.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em exame.com — o conteúdo pertence a Exame.