Por que as ações do Banco do Brasil desabaram mesmo com lucro bilionário?
O Banco do Brasil registrou lucro líquido ajustado de R$ 3,9 bilhões no segundo trimestre de 2026, mas a deterioração da qualidade do crédito aumentou a percepção de risco sobre a instituição e pressionou as ações. O resultado cresceu 3,3% em relação ao mesmo período de 2025 e 13,9% na comparação com os três primeiros meses do ano, mas o custo de crédito avançou em ritmo bem mais forte.
Balanço do Banco do Brasil mostrou um contraste que ajuda a explicar a reação negativa dos investidores. De um lado, o resultado trimestral superou as projeções do mercado e levou o lucro a R$ 3,9 bilhões . De outro, o custo de crédito avançou 16,1% em um ano, para R$ 18,5 bilhões.
Apesar da alta em 12 meses, o custo de crédito recuou 2,1% na comparação com o primeiro trimestre Segundo análise da Genial Investimentos, porém, a despesa bruta de perda esperada aumentou 13,5% no trimestre, enquanto o resultado foi beneficiado por maiores recuperações de crédito e menores descontos concedidos.
Deterioração da carteira também reduziu a margem de segurança do banco para absorver novas perdas. O índice de cobertura, que mostra quanto das operações em atraso está coberto por provisões, caiu de 183,2% para 148,5% em 12 meses.
Indicador sinaliza que o banco tem hoje uma proteção menor diante dos créditos em atraso. A queda da cobertura reduz a folga para absorver novas perdas caso a inadimplência continue avançando.
Exposição ao agronegócio continua sendo um dos principais pontos de atenção. A inadimplência de operações com atraso superior a 90 dias no setor chegou a 6,3% no segundo trimestre, maior nível da série histórica do banco. A recuperação dessa carteira também deve ocorrer de forma mais lenta, segundo analistas.
Mas o problema não está restrito ao crédito rural. A inadimplência da carteira de pessoas físicas subiu para 8,4%, ante 5,59% um ano antes. No cartão de crédito, os atrasos superiores a 90 dias chegaram a 14,6%.
Piora em diferentes segmentos aumenta a preocupação sobre o comportamento do custo de crédito nos próximos trimestres. Analistas, porém, veem sinais de que parte da pressão pode começar a perder força no segundo semestre.
Banco do Brasil renegociou R$ 31 bilhões em créditos no segundo trimestre, mas a recuperação da carteira ainda depende da velocidade dessas operações. No agronegócio, a renegociação das dívidas tem avançado mais lentamente do que o esperado, segundo o BTG Pactual.
Para analistas, isso pode retardar a melhora da qualidade dos ativos. Segundo analistas, uma recuperação mais lenta da carteira rural pode manter a pressão sobre as provisões e o custo de crédito por mais tempo.
Piora dos indicadores de crédito teve impacto imediato na Bolsa. As ações ordinárias do Banco do Brasil ( BBAS3 ) fecharam o pregão de ontem em queda de 4,05%, a R$ 18,23 .
Para instituições como a EQI Investimentos e o Banco Safra, o resultado reduz o espaço para uma recuperação rápida do banco por meio da expansão da concessão de crédito.
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