Bolsa perde R$ 279 bi em 7 pregões: é hora de comprar ou vender?
A Bolsa brasileira perdeu R$ 279 bilhões em valor de mercado, o equivalente a uma Vale, em sete dos últimos oito pregões. O tombo, puxado pelos juros elevados nos Estados Unidos, pela Selic ainda alta no Brasil e pela incerteza eleitoral, levou o Ibovespa ao menor patamar desde 20 de janeiro e reacendeu uma dúvida entre quem investe em ações: é hora de entrar ou sair da Bolsa?
As empresas listadas na Bolsa brasileira perderam R$ 279 bilhões em valor de mercado entre 3 e 12 de agosto. O cálculo, da consultoria Elos Ayta, leva em conta sete pregões consecutivos de queda. Ontem (13), o índice emendou o oitavo pregão negativo , mas o levantamento da Elos Ayta não inclui essas perdas. A cifra calculada equivale a cerca de 90% do valor de mercado da Vale, hoje avaliada em torno de R$ 311 bilhões. Contando os oito pregões de recuos, o Ibovespa encolheu 6,12%: de 178 mil pontos para 167.100 pontos. "A última vez que o principal índice da Bolsa registrou oito quedas consecutivas foi em 10 de agosto de 2023, quando acumulou queda de 2,95%", diz a consultoria.
As perdas se concentraram em poucos setores, com destaque para os bancos. Seis segmentos — bancos, energia elétrica, exploração e refino de petróleo, seguradoras, cervejas e refrigerantes, e serviços médico-hospitalares — responderam sozinhos por R$ 213,6 bilhões do total perdido, cerca de três quartos da desvalorização. O setor bancário, com 18 instituições, foi o mais afetado: caiu R$ 100,1 bilhões, valor próximo ao de mercado do Banco do Brasil.
Um dos motivos é a perspectiva de juros americanos elevados por mais tempo. Quando os juros dos Estados Unidos sobem ou permanecem elevados, os títulos do Tesouro americano — considerados um dos investimentos mais seguros do mundo — ficam mais atrativos. Isso pode reduzir o apetite por risco em mercados emergentes como o Brasil, já que o investidor estrangeiro passa a exigir um retorno maior para manter dinheiro em ações brasileiras. O movimento também pode favorecer a migração de recursos para ativos americanos.
A taxa Selic em patamar mais elevado do que o esperado no início do ano também tira dinheiro da Bolsa. Com retorno de 14% ao ano — e projeções que subiram ao longo do ano —, a renda fixa brasileira, como CDBs e títulos do Tesouro, passa a atrair investidores. "Com a Selic nesse patamar, o investidor consegue contratar retornos bastante elevados em renda fixa, com um nível de risco substancialmente inferior ao da renda variável", diz Eduardo Rahal, da Levante Investimentos.
O juro elevado também pressiona resultados corporativos e desacelera a economia. "Os dados recentes já mostram desaceleração do varejo e do crédito, acompanhada de aumento da inadimplência tanto de famílias quanto de empresas", diz Rahal.
O calendário eleitoral também influencia. A incerteza sobre os rumos da política fiscal do próximo governo tem afastado parte dos investidores, sobretudo estrangeiros, que preferem esperar para ver quem vence a eleição.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em economia.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Economia.