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Último morador do Moinho a receber casa de Lula e Tarcísio vive isolado na favela demolida em SP

UOL Notícias ·
Último morador do Moinho a receber casa de Lula e Tarcísio vive isolado na favela demolida em SP

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Depois de uma madrugada trabalhando em um edifício no centro de São Paulo , o porteiro Manuel Severino Silva dos Santos, 53, havia acabado de acordar quando recebeu a Folha no início da tarde da última segunda-feira (17). "Minha vida é aqui", disse, ao subir pela escada sem corrimão para mostrar por dentro a casa que ele construiu e reformou ao longo dos últimos 20 anos na favela do Moinho , também na região central da cidade.

Do lado de fora, uma escavadeira com uma tesoura pulverizadora de concreto acoplada ao seu braço metálico retorcia vergalhões e mastigava os restos dos silos de 30 metros que eram o símbolo da comunidade. Os estrondos provocados pela máquina entram pela janela do segundo pavimento do sobrado, um cômodo de 20 m² que conjuga quarto e cozinha. À direita ficam a cama e uma televisão grande presa na parede. À esquerda, a geladeira, a pia, o fogão e um pequeno banheiro. O piso térreo não chegou a ser concluído para que se tornasse habitável.

Assim como as torres do moinho de farinha abandonadas, centenas de casas da vizinhança foram demolidas após o início da remoção conduzida desde abril do ano passado pela gestão do governador Tarcísio de Freitas ( Republicanos ). A residência de Santos é uma das duas últimas que restam inteiras no terreno repleto de entulho. "Estou morando no meio dos escombros, mas fazer o quê? É só isso o que restou da minha casa. Não tem outra opção, não tem para onde ir", diz o porteiro.

Até a data em que a reportagem esteve no local, 850 famílias tinham sido incluídas em um plano de reassentamento acordado entre as gestões de Tarcísio e do presidente Lula ( PT ). O programa ofereceu moradias 100% subsidiadas aos que deixassem a área. A União era a proprietária do terreno —agora cedido ao estado para a criação de um parque público —, enquanto o governo paulista é o responsável pelas ferrovias de trens metropolitanos que cercam o lugar.

Santos ficou de fora. A carta de crédito não havia sido aprovada porque a análise inicial da sua renda somou ao salário de R$ 2.480 o adicional noturno, horas extras e o auxílio para alimentação. Isso o desenquadrou do patamar máximo de R$ 4.700 estabelecido pelo governo federal.

Em uma discussão no Judiciário, a gestão Tarcísio obteve o direito de derrubar as construções vazias sob a justificativa de evitar a reocupação. Os vizinhos foram saindo aos poucos até que a rua onde Santos mora, a principal do Moinho, se tornasse um caminho deserto.

"Aqui era o bar", diz, apontando para os restos de uma construção sem porta nem telhado. "Era bom demais. A turma se reunia, conversava, fazia churrasco, tomava cerveja. Eu vivi aqui dentro, todo mundo era unido, de bom humor, sossegado. Na verdade, eu queria ficar", lamenta.

Nascido em Bom Jardim (PE), divorciado e pai de um filho já adulto, Santos chegou ao Moinho quando "era tudo barraco de madeira", diz. "Construí tijolo por tijolo. Todo mundo fez isso. Aí começaram a demolir, casa por casa, todo mundo saindo fora. Agora, você acorda, não tem ninguém.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.

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