Governo arrecada menos de 20% do previsto com dividendos de estatais no 1º semestre
Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) arrecadou no primeiro semestre pouco menos de 20% do valor esperado com dividendos de empresas estatais federais para este ano. O baixo desempenho acendeu um alerta entre analistas para o risco de frustração dessas receitas, que são uma fonte importante de recursos para cumprir a meta fiscal de 2026.
A equipe econômica espera obter R$ 55,5 bilhões em dividendos neste ano, mas só R$ 10,4 bilhões entraram no caixa do Tesouro de janeiro a junho (18,7% do estimado). Em igual período do ano passado, a arrecadação ficou em R$ 25 bilhões, em valores já atualizados pela inflação —ou seja, houve uma queda real de 58% no período.
Os dividendos são uma remuneração equivalente a parte do lucro obtido por empresas. O governo recebe esses valores de companhias nas quais a União tem participação. Em 2025, os principais pagadores de dividendos foram BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Petrobras e Caixa Econômica Federal.
Integrantes do governo atribuem os resultados mais tímidos de 2026 até agora a uma diferença de calendário e afirmam que é possível haver pagamentos mais significativos no segundo semestre. Um deles virá do BNDES, que aprovou repasse extraordinário de R$ 6,8 bilhões, ainda com base em resultados obtidos em 2025. Com a correção devida pelo período, o repasse efetivo deve alcançar R$ 7,25 bilhões, a ser feito até o fim de setembro.
Ainda assim, a equipe econômica precisa de um reforço de R$ 40 bilhões em seis meses para alcançar o valor projetado, o que analistas consideram de difícil realização.
O pagamento de dividendos não depende só da aferição de lucro, mas também do calendário corporativo e da decisão dos administradores das companhias do quanto distribuir aos acionistas.
O BNDES é quem tem atuado como uma espécie de fator de ajuste nessa balança. A contribuição da instituição passou de R$ 10,4 bilhões em 2023 para R$ 29,5 bilhões em 2024, recuando a R$ 22,3 bilhões em 2025.
Nos dois últimos anos, os valores do banco foram engordados por repasses extraordinários. Em 2024, foram R$ 24,1 bilhões. Já no ano passado, o montante complementar ficou em R$ 9,5 bilhões.
Em 2026, além do repasse extra já aprovado, o BNDES detém outros R$ 9,5 bilhões na chamada reserva de equalização de dividendos, referentes a vários exercícios. A conta pode ser usada para fazer novos pagamentos à União ao longo deste ano.
Procurado, o BNDES disse que mantém diálogo com os ministérios da Fazenda e do Planejamento e Orçamento, "órgãos responsáveis pela definição de pagamentos de dividendos extraordinários, e que devem ser consultados sobre o corrente ano".
Outras companhias, porém, já sinalizaram que não devem efetuar pagamentos extraordinários. É o caso da Petrobras, que teve um lucro de R$ 52,4 bilhões no segundo trimestre, mas deve usar o caixa adicional para priorizar investimentos e reduzir o endividamento.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.