Por que os preços das commodities agrícolas acompanham cada vez mais os combustíveis?
A relação entre o mercado de energia e o agronegócio está ficando cada vez mais estreita. À medida que petróleo e biocombustíveis ganham importância na matriz energética, os preços das commodities agrícolas passam a responder não apenas à oferta e à demanda por alimentos, mas também às condições do mercado de combustíveis.
Essa é a principal conclusão de uma análise da equipe de agricultura do Goldman Sachs , que aponta os biocombustíveis como um vetor cada vez mais relevante para a formação dos preços de grãos, açúcar e óleos vegetais.
A lógica é simples: quando o petróleo sobe ou os governos aumentam os mandatos de mistura de biocombustíveis, torna-se mais rentável — ou obrigatório — direcionar uma parcela maior das safras para a produção de combustível. Com isso, aumenta a competição entre os mercados de alimentos, ração animal e energia , dando suporte aos preços das matérias-primas agrícolas.
Segundo o banco, os biocombustíveis já representam uma indústria de aproximadamente 3,5 milhões de barris por dia , sendo cerca de 95% do consumo destinado ao transporte. Estados Unidos, Brasil e União Europeia concentram aproximadamente 80% da produção mundial.
O movimento ganhou força no primeiro semestre de 2026, quando a alta dos preços do petróleo impulsionou a demanda por biocombustíveis.
Mas o Goldman Sachs vê outro fator estrutural: os governos podem continuar elevando os mandatos de mistura para reduzir a dependência energética, diversificar a matriz e, em alguns casos, apoiar a renda dos produtores rurais.
O Brasil é um exemplo importante. O país elevou recentemente a mistura obrigatória de etanol na gasolina para 32% (E32) . Na Indonésia, o mandato de biodiesel de palma chegou a 50% (B50) .
Nos Estados Unidos, o impacto já pode ser observado no mercado de soja. A parcela do óleo de soja destinada aos biocombustíveis aumentou de cerca de 40% em 2020 para aproximadamente 55% em 2026 , segundo o Goldman.
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