Os Terena e a continuidade na escrita de existência e resistência
Escrevo estas linhas, a partir do chão de uma cidade com grande importância no cenário nacional, Campo Grande, a capital do promissor estado de Mato Grosso do Sul.
Simultaneamente, olho para o mesmo céu que meus antepassados miraram e enxergaram as estrelas lá no alto, quando estavam em nossos territórios há quatro, cinco, seis gerações anteriores à minha.
Sinto, a inspiração que eles tiveram é a mesma aqui em mim, apesar da distância no tempo, a qual hoje nos separa.
Três séculos após a chegada a este lado do Rio Paraguai, ao que é hoje parte da região oeste do Mato Grosso do Sul, prosseguimos, pois mesmo que outros ambicionem ditar os rumos de nosso futuro, somos nós quem continuamos a assumir a escrita de nossa história quanto ao presente e ao amanhã.
As memórias dos Terena se ligam, em grande parte , ao pós Guerra contra o Paraguai.
Esse evento bélico e, principalmente, o seu desfecho feriram a alma terena, afinal foi a grande causa relacionada à maior parte das terras ancestrais que foram retiradas de nosso povo.
Uma perda significativa que não somente inaugurou um novo momento a nós, como também deu início a toda uma resistência em nossa história recente, responsável por nos manter vivos mesmo em ambientes hostis e contrários à continuidade de nossa existência.
Mesmo pertencente à quinta geração terena nascida após o fim da Guerra Contra o Paraguai, carrego no peito a dor de termos como povo perdido a maior parte de nossos territórios.
E isso pesa muito mais, pois adentramos no referido conflito como combatentes na defesa não só de nossos territórios, como também na defesa de toda a nação da época.
Ao final da participação dos Terena na Guerra, restou apenas ao nosso povo a injusta expulsão do nosso chão.
Apesar de todo esse contexto vivenciado lá nos idos do século 19, nosso povo prosseguiu na escrita da história de sua existência e resistência.
Aprendemos que ferimentos, dores e perdas ao longo da caminhada e, principalmente, após o contato inicial destrutivo e violento com o colonizador europeu, não foram o ponto final de nossa gente.
Chegamos até aqui, pois não nos faltou garra e perseverança em todas as batalhas nas quais estivemos envolvidos forçosamente inseridos.
Um dos grandes exemplos atuais é a forma como este povo não se dobra diante do desrespeito agudo com relação a não demarcação total de nossos territórios.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.campograndenews.com.br — o conteúdo pertence a Campo Grande News.