Intenção de Consumo das Famílias recua 0,6% em agosto, diz CNC
Segundo a confederação, a deterioração da percepção sobre o futuro do mercado de trabalho liderou a retração no mês
A ICF (Intenção de Consumo das Famílias) recuou 0,6% em agosto na comparação com julho e atingiu 104,9 pontos. Os dados foram divulgados pela CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) nesta 5ª feira (20.ago.2026).
A deterioração da percepção sobre o futuro do mercado de trabalho foi o que liderou a retração. O componente de Perspectiva Profissional teve o maior recuo do mês (-1,9%) e registrou uma expressiva baixa de 9,9% frente ao mesmo mês do ano passado. Eis a íntegra da pesquisa (PDF – 2 MB).
O presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, disse que o comportamento mais cauteloso das famílias vem por causa de um “ambiente financeiro pressionado” , por exemplo, pela taxa Selic, que está em 14,0% ao ano.
“O avanço da inadimplência entre empresas gera ruídos em toda a atividade econômica e afeta também a confiança dos trabalhadores ao ameaçar a estabilidade de suas ocupações” , afirmou Tadros.
Segundo a CNC, o cenário consolida uma ambivalência na percepção sobre o trabalho. Embora a avaliação do Emprego Atual tenha registrado leve ganho de 0,1% no mês, a apreensão em relação aos meses seguintes prevalece.
A percepção de fragilidade na saúde financeira das empresas faz com que o consumidor adote atitude de prevenção, segurando decisões de gastos.
“A melhoria de alguns fatores de consumo, como a inflação dentro da meta e a –ainda tímida– redução da Selic, não foi suficiente para sustentar a percepção do consumidor no curto prazo. Isso porque o mercado de trabalho é chave para essa sensação de segurança. Mesmo aquecido, a perspectiva futura é de menos certeza do que já foi” , declarou a economista da CNC Catarina Carneiro.
A retração nas intenções de compra se espalhou por quase todos os subíndices analisados. Na margem, houve quedas na Renda Atual (-0,6%), no Nível de Consumo Atual (-0,5%), no Acesso ao Crédito (-0,3%) e no Momento para Duráveis (-1,3%).
A disposição para adquirir bens de maior valor até apresenta avanço de 17,5% no confronto anual, mas permanece em patamar desfavorável ao marcar 75,8 pontos (abaixo do nível neutro de 100 pontos).
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