Impostos: diminuir piora
Flávio Bolsonaro , candidato à Presidência, promete baixar os impostos.
Dificilmente ele terá estudado o assunto.
Parece refletir conversas de quem reclama da carga tributária, que por seu tamanho e complexidade prejudica a produtividade e, assim, a competitividade dos nossos bens e serviços.
Ele pode ter ouvido falar na Curva de Laffer.
É uma teoria segundo a qual aumentos de impostos elevam a receita tributária, mas, a partir de certo ponto, tendem a reduzi-la.
Reduções de impostos podem aumentar a arrecadação, pois aumentam a atividade econômica.
Mesmo que essa vantagem fosse válida, ela não se aplicaria bem ao Brasil.
Com efeito, o governo federal pode reduzir apenas os seus impostos, os quais representam 21,6% da carga tributária.
O restante pertence aos estados e municípios, que têm a competência para arrecadar perto de 80% dos tributos.
Dificilmente adeririam à proposta.
Mesmo que ele propusesse uma emenda constitucional para impor a redução de impostos aos entes subnacionais, a ideia, inconstitucional, seria rejeitada pelo Congresso e pelo Supremo Tribunal Federal .
O candidato poderia dizer que a ideia se aplicaria apenas à União, o que passaria facilmente, sem ninguém pestanejar, pois a grande maioria de nossos parlamentares adora ideias populistas.
Não se furtariam a apoiar Flávio se ele virasse presidente da República.
A votação beiraria a unanimidade nas duas Casas do Congresso.
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