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Luz no fim do túnel? Safra inicia cobertura Light (LIGT3) após fim da recuperação judicial; será que é hora de comprar?

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Luz no fim do túnel? Safra inicia cobertura Light (LIGT3) após fim da recuperação judicial; será que é hora de comprar?

O Safra iniciou a cobertura das ações da Light ( LIGT3 ) com recomendação neutra e preço-alvo de R$ 4,20 para o fim de 2026, valor que representa um potencial de valorização de aproximadamente 16% frente aos R$ 3,62 considerados no relatório.

O movimento do bancão vem após a companhia elétrica anunciar, na última semana, o encerramento do seu processo de recuperação judicial iniciado em junho de 2024. Nesta sexta-feira (18) ainda, a agência classificadora de riscos S&P Global elevou as classificações de risco de crédito de sua subsidiária Light Sesa.

Apesar do upside , o banco ainda não vê motivos suficientes para recomendar a compra dos papéis. Na avaliação dos analistas Carolina Carneiro, Daniel Travitzky e Ricardo Bello, a companhia atravessa uma recuperação após a reestruturação de sua dívida e a renovação da concessão, mas ainda carrega riscos relevantes, principalmente relacionados às perdas de energia e à regulação.

O Safra calcula uma taxa interna de retorno ( TIR ) implícita de 12,7% para a ação. Embora considere o valuation descontado, o banco afirma enxergar outras alternativas no setor elétrico com riscos menores e retornos semelhantes.

“Embora o valuation atual pareça descontado, vemos outras opções no setor de utilities com menos risco embutido e negociando em níveis semelhantes de TIR”, afirmam os analistas, em tradução livre.

Para o Safra, um dos principais gatilhos para as ações da Light será a revisão tarifária de 2027 .

O evento será importante porque poderá reconhecer na tarifa tanto os investimentos realizados pela companhia quanto uma parcela maior das perdas de energia enfrentadas pela distribuidora.

Atualmente, as perdas não técnicas da Light chegam a cerca de 73% da energia faturada no mercado de baixa tensão, enquanto o nível reconhecido pela regulação está próximo de 42%.

A dimensão dessa discussão aparece em outro cálculo do Safra: caso o regulador reconhecesse integralmente nas tarifas a diferença atual entre as perdas efetivas e o patamar regulatório, o impacto positivo poderia chegar a aproximadamente R$ 1 bilhão no Ebitda .

A melhora financeira é outro pilar da tese. Depois de anos de pressão sobre o caixa, a alavancagem da Light chegou a aproximadamente 3,8 vezes a relação entre dívida líquida e Ebitda em 2023, período em que a companhia entrou em recuperação judicial.

Posteriormente, a empresa concluiu um aumento de capital de R$ 1,5 bilhão e converteu parte das dívidas em ações, reduzindo a alavancagem para 2,8 vezes, segundo o Safra.

A companhia também renegociou cerca de R$ 11 bilhões em dívidas e aumentou os investimentos em 65% entre 2024 e 2025, em uma estratégia para melhorar a qualidade da rede e enfrentar o histórico problema das perdas de energia.

Para os próximos cinco anos, a Light divulgou um plano de aproximadamente R$ 10 bilhões em investimentos no segmento de distribuição, concentrado na modernização das redes, integração tecnológica e redução das perdas.

Outro ponto no radar são as concessões das hidrelétricas da Light Energia , que somam 873 MW de capacidade instalada e vencem em 2028.

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