Diretor cearense Karim Aïnouz abre desafios e inspirações para ‘Rosebush Pruning’, de Almodóvar a John Waters
Em 1965, Marco Bellocchio levou aos cinemas De Punhos Cerrados , um drama sombrio sobre um jovem epilético e paranoico que, para aliviar a carga sobre o irmão mais velho, decidia assassinar a sua família disfuncional.
Meio século depois, a obra caiu como uma luva nas mãos do cearense Karim Aïnouz , que previamente havia tocado Motel Destino , um noir tropical e erótico ambientando no litoral de seu estado.
Mas o diretor não queria se repetir, muito menos copiar o trabalho de Bellocchio - mesmo sem pista alguma de como conduzir a obra: “Quando li o roteiro pela primeira vez, falei: ‘Eu não sei fazer isso aqui.
Eu não tenho a menor ideia, a menor noção”, confessou o cineasta ao Seu Dinheiro .
“[Mas] depois falei: ‘Quer saber? Eu vou aprender.
Vou aprender e vou me divertir.
Isso aqui é um lugar novo.” E foi assim que nasceu Rosebush Pruning .
LEIA TAMBÉM : Por que retratar Amyr Klink? Diretor Carlos Saldanha detalha como levou navegador brasileiro às telas do cinema Pôster de Rosebush Pruning Elite nas telas (e fora delas) Na novidade — que chega aos cinemas brasileiros após causar polêmica em passagens pelo Festival de Berlim, o Berlinale , e o Festival do Rio —, quatro irmãos vivem com o pai cego em uma mansão na Catalunha, na Espanha, entregues ao isolamento e desfrutando de sua inesgotável fortuna.
No entanto, quando um deles decide sair de casa para morar com a namorada e o outro descobre novas verdades sobre a misteriosa morte da mãe, o frágil equilíbrio familiar começa a ruir, levando a graves consequências.
Rosebush Pruning: Tracy Letts, Callum Turner, Elena Anaya, o diretor Karim Aïnouz, Pamela Anderson, Jamie Bell e Lukas Gage durante o Berlinale Escrito por Efthimis Filippou , colaborador de longa data de Yorgos Lanthimos , com quem trabalhou em produções como O Lagosta (2015) e Tipos de Gentileza (2024), Rosebush Pruning eleva a história de Bellocchio à máxima potência, usando do absurdo para criticar a elite econômica, como fizeram Triângulo da Tristeza (2022) e Saltburn (2023) em um passado recente.
“Nesse filme, você não sabe o que vai acontecer do começo ao fim.
Você vai para diferentes lugares e tem essa coisa da surpresa, do inesperado, do não previsível”, afirma Aïnouz .
Talvez mais do que seus antecessores, Rosebush Pruning não economiza em absurdidades que, para muitos, podem deixar um gosto amargo na boca, mas que, para o cineasta, estão mais próximas da realidade do que queremos admitir: “A gente está vivendo um momento tão absurdo no mundo, em que há coisas que a gente olha e pensa: ‘De verdade, isso está acontecendo?’”, justifica.
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