Sakamoto: Flávio Bolsonaro precisa tratar eleitor como cidadão, não otário
Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× O senador e candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL) precisa responder sobre o dinheiro pedido ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e não pode tratar o eleitor "como otário" nas eleições, avaliou o colunista Leonardo Sakamoto no UOL News , do Canal UOL.
O comentário veio após Flávio ser cobrado por jornalistas sobre a promessa de apresentar o contrato ligado ao pedido de R$ 61 milhões para o filme "Dark Horse", sobre a vida do pai dele, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e reagir dizendo: "vocês vão parar no tempo?". Sakamoto lembrou que o candidato ainda não se explicou.
Se o senador Flávio Bolsonaro quer ser presidente da República, parte-se do pressuposto que ele precisa tratar o eleitor como um cidadão, não como um otário. Leonardo Sakamoto
Sakamoto disse que perguntas sobre o caso até o fim da campanha fazem parte do trabalho jornalístico e servem de lembrete de que Flávio prometeu liberar informações e esclarecer a situação, o que ainda não fez passados 100 dias da revelação dos áudios do candidato do PL pedindo dinheiro a Vorcaro em meio ao escândalo do Banco Master.
Qualquer colega jornalista que daqui até o final da campanha perguntar sobre o Dark Horse está simplesmente exercendo o seu ofício. E, na verdade, servindo de lembrete ao próprio senador Flávio Bolsonaro que tinha falado: 'Eu vou liberar a informação'. Já passou mais de 100 dias e ainda nada. Leonardo Sakamoto
Segundo ele, a resposta de Flávio ao ser cobrado sobre o caso Master tenta deslocar o foco para as investigações em curso envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula (PT).
Sakamoto também questionou o discurso de Flávio de que o pedido a Vorcaro se trataria de uma "relação privada" e afirmou que é preciso esclarecer a origem e o destino dos recursos, já que o ex-banqueiro está preso preventivamente pela suspeita de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e tentativa de obstruir as investigações.
Precisamos entender em que condições, e repito, de onde é a origem desse dinheiro, em primeiro lugar. [...] E depois precisamos saber o uso do dinheiro: foi pro Dark Horse, ou um filme sobre a vida do pai, ou foi pra financiar a traição do irmão dele lá nos Estados Unidos contra o Brasil, ou foi pra um caixa dois de campanha. Leonardo Sakamoto
O colunista Josias de Souza acrescentou que a postura do senador diante das cobranças públicas tende a manter o caso vivo na reta final da eleição . Ele disse que, com o primeiro turno próximo, a demora em explicar pode empurrar o tema para "perto das urnas".
O Flávio Bolsonaro está demorando a perceber, mas político que se enrola nos detalhes normalmente se perde naquilo que é essencial. Perto da urna, todo fato consumado vira fato consumido. Josias de Souza
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