Por que a Justiça tirou os cargos de dois professores negros aprovados em concurso público por cotas?
Professores de universidade aprovados por cota em concurso perdem vaga Antes de ser aprovada por cotas em um concurso público na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a professora pernambucana Rafaela Niels tinha dois empregos: era diretora-geral da Atenção Primária na Secretaria de Saúde do estado e coordenadora do curso de medicina de uma faculdade filantrópica em Caruaru (PE).
Ela pediu demissão de ambos, já que o novo cargo exigia dedicação exclusiva.
Um mês depois de tomar posse, no entanto, uma decisão judicial anulou a nomeação de Rafaela na UFPE.
Por quê? A Justiça entendeu que a vaga dela, para o departamento de medicina da mulher, não deveria ter sido direcionada para cotas, e sim para ampla concorrência (entenda mais abaixo).
"Em menos de 1 mês, eu me vi com uma mão atrás, outra na frente, com dois filhos para criar, um adolescente e uma criança pequena, sem ter a quem pedir ajuda", conta Rafaela.
"Passei semanas chorando.
Não durmo, não como e tenho tremores.
Eu estava há 11 anos no outro emprego." Rafaela é a segunda participante deste mesmo concurso da UFPE que, depois de ser nomeada oficialmente como docente da instituição, perde o cargo por ação judicial.
O paraibano Allison Ruan chegou a dar aula por seis meses em engenharia química até saber da anulação.
“Eu estava trabalhando na universidade; ninguém me avisou.
Fiquei sabendo junto com todo mundo, quando saiu a decisão no Diário Oficial", conta Allison.
"Fiquei desnorteado, juntei minhas coisas e fui para casa.
Pela primeira vez na vida, estou desempregado.” ➡️Ao g1, a UFPE afirma que as anulações das nomeações não decorreram "de decisão administrativa da Universidade, mas do cumprimento de determinação proferida pelo Poder Judiciário”.
“A UFPE tem o dever legal de cumprir as decisões judiciais que lhe são dirigidas, independentemente de eventual possibilidade de interposição de recurso”, afirma a universidade (veja a nota na íntegra no fim da reportagem).
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em g1.globo.com — o conteúdo pertence a G1 Educação.