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Economia

Brasil precisa de letramento digital em IA, propõe pesquisadora

Mobile Time ·
Brasil precisa de letramento digital em IA, propõe pesquisadora

O Brasil precisa priorizar o letramento digital da população em inteligência artificial, opina a pesquisadora Renata Wassermann, professora associada do IME-USP e diretora da Lawgorithm, uma associação de interesse público (OSCIP) voltada para pesquisa em inteligência artificial e direito.

Ela se preocupa também com a concentração dos modelos de IA nas mãos de poucas empresas e alerta: “O problema não é a tecnologia, mas entender o que está por trás dela”.

Wassermann fará uma palestra sobre regulamentação de IA durante o Super Bots Experience 2026 nesta terça-feira, 18, e concedeu entrevista para o Mobile Time adiantando um pouco da sua visão sobre o tema.

Mobile Time — Quais deveriam ser as prioridades do Brasil na elaboração do Marco Legal de IA?

Renata Wassermann — Eu gosto de comparar (a regulamentação de IA) com a introdução do automóvel nas cidades. Quando apareceram os primeiros automóveis, não tinha regra de trânsito, não tinha placa, não tinha semáforo, não tinha nada, e nem precisava, porque havia poucos carros. A necessidade de regras vai surgindo com o uso. A gente está meio correndo atrás de algo que está em andamento.

Uma coisa é a regulamentação para as empresas, para o uso comercial. Outra coisa é para as pessoas. O Brasil tem um problema de letramento digital, de educar as pessoas para entenderem o que elas estão fazendo (no ambiente digital). Até mesmo as pessoas que trabalham com IA nem sempre têm a noção dos riscos e do que exatamente está sendo feito.

Tem duas coisas importantes. Uma é entender que, se você não tem um contrato com as empresas, você está colocando suas coisas na web, sejam processos sigilosos, ou dados inéditos de uma pesquisa, seja lá o que for que você esteja trabalhando, você está jogando para o mundo. É como se você estivesse postando no Instagram, a diferença é que você não vê quem está acessando e o que está fazendo com isso.

A outra questão é a da confiabilidade: as pessoas precisam entender que esses modelos generativos têm uma grande parte probabilística, não determinística. Então você não tem nenhuma garantia de correção da informação que está recebendo. Quando meus alunos perguntam se podem usar IA para fazer um trabalho, eu falo que podem usar para aquilo que eles sabem fazer. Porque eles precisam ser capazes de verificar.

Portanto, acho que o primeiro passo para a gente poder regulamentar é educar.

Depois de educar, é começar a colocar limites: o que você pode usar, o que não pode, e quanto pode. Eu acho que tem muita coisa ainda bastante nebulosa.

Quando se discute regulamentação de IA, há um embate entre dois campos: um defendendo interesses econômicos, contra uma regulamentação muito restritiva, por medo de que isso iniba a inovação, e outro defendendo uma lei restritiva para preservar direitos fundamentais. Dá para encontrar um equilíbrio entre esses dois lados?

A gente vai ter que encontrar. Se a gente pensar de novo no caso do automóvel, é óbvio que no começo ninguém queria ter limite de velocidade ou regras de onde pode estacionar. Mas conforme aumenta o número de carros em trânsito, começa a ser indispensável.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.mobiletime.com.br — o conteúdo pertence a Mobile Time.

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